
Contemplação (part. Grupo Ofa)
Anitta
Espiritualidade e ancestralidade em “Contemplação (part. Grupo Ofa)”
“Contemplação (part. Grupo Ofa)”, de Anitta, se destaca pela união entre espiritualidade afro-brasileira e gratidão no cotidiano, criando uma atmosfera de oração e cura que vai além da experiência musical. A participação do Grupo Òfá, ligado ao Terreiro do Gantois, e o uso do iorubá nos versos repetidos — “A fidẹ sẹ ọmọ Ọlọ́run / Omi rò àrà…” — reforçam a conexão com a ancestralidade e as religiões de matriz africana, especialmente a reverência a Oxum, orixá das águas doces, símbolo de renovação, proteção e abundância.
A letra traz a água como metáfora central de purificação e transformação: “Água doce pra inundar / Pra dourar a vida / Água pra me lavar / Água pra benzer e pra curar”. Essa imagem dialoga com a inspiração nas cantigas a Oxum, mostrando a água como elemento que limpa, abençoa e cura, alinhada à intenção de Anitta de criar uma faixa com poder de cura emocional. Trechos como “Sol de ouro brilha, minha pele vibra, tudo ilumina / Colorindo o ar com girassóis, no espelho d'água, meu tesouro, eu” ampliam o sentimento de gratidão e celebração da vida. Já “Agradeço por cada escolha, abundância em cada gota / Reconheço tudo o que é seu em tudo que é meu” expressa humildade e a conexão entre o divino e o humano. O caráter litúrgico da música, ressaltado por Anitta e pelo papel que ocupa no álbum, transforma a faixa em um convite à contemplação, renovação interior e agradecimento, especialmente em momentos difíceis.




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