Exibições da letra 656

À Beira Tejo

António Pelarigo

Relação entre fé, trabalho e natureza em “À Beira Tejo”

“À Beira Tejo”, de António Pelarigo, retrata de forma sensível a vida dos pescadores ribeirinhos do Tejo, marcada pela busca de abrigo, pertencimento e esperança. Pelarigo, nascido em Santarém e com raízes familiares ligadas à pesca, utiliza imagens como “fresca maresia, verde prata, maré alta” e “redes ao mar, esperança no ar” para ilustrar tanto o cenário natural quanto a rotina de trabalho árduo e a expectativa constante de quem depende do rio para sobreviver.

A canção destaca a religiosidade popular, especialmente no verso “Na proa erguido, um Cristo amigo / Afasta a morte”, mostrando como a fé serve de proteção diante dos perigos do ofício. O Tejo é apresentado como um elemento de dualidade: pode ser calmo ou tempestuoso, refletindo as incertezas da vida dos pescadores. O trecho “Dá que pensar viver do mar / É dura lida / Vida que o peixe deixa na rede / P'ra nossa vida” resume a dependência vital do rio e a dureza do cotidiano, mas também revela uma aceitação contemplativa dessa realidade. No final, a noite que “ergue-se de mansinho” e o “beijo roubado” pelo sol simbolizam os ciclos de esperança, perda, amor e ciúme presentes tanto na natureza quanto nas relações humanas. Assim, a música se torna um retrato fiel da vida ribeirinha e da ligação profunda de Pelarigo com o fado tradicional e suas raízes culturais.

Composição: Jorge Fernando. Essa informação está errada? Nos avise.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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