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O mar como força e memória em "Mar" de Ariette Furtado

Em "Mar", Ariette Furtado transforma o mar em um símbolo central de força, inspiração e serenidade, elementos presentes tanto na kizomba quanto na cultura cabo-verdiana. A repetição dos versos “Na bu areia branka N odja marka di sis pasu / Di nha kretxeu / I pa es N torna volta” destaca não só a lembrança de alguém querido, mas também a ideia de permanência e retorno. As marcas na areia representam memórias e laços afetivos que resistem ao tempo, reforçando o papel do mar como guardião dessas conexões.

A letra alterna entre pedidos e agradecimentos ao mar, como em “Da-m bu forsa” e “Da-m bos ondas / Da-m inspirason”, mostrando o mar como fonte de energia vital e tranquilidade. O uso do crioulo cabo-verdiano reforça a identidade cultural e o sentimento de pertencimento. Ao mencionar “faze-m txiga pértu di kel algen ki nha korason skodje”, Ariette amplia o simbolismo do mar, sugerindo que ele também é ponte para reencontros e reconciliações. Assim, "Mar" vai além do individual, abordando o coletivo e o afetivo, e convida o ouvinte a buscar no mar – e em si mesmo – a força para superar desafios e manter vivas as marcas de quem ama.


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