
Por Causa Desta Cabocla
Ary Barroso
“Por Causa Desta Cabocla”: natureza, desejo e cuidado
Lançada em 1935, “Por Causa Desta Cabocla”, de Ary Barroso em parceria com Luiz Peixoto, celebra a brasilidade ao fundir paisagem e afeto. A letra cria um espelho entre a cabocla, que mobiliza a natureza, e o caboclo, que a vigia com desejo contido. As imagens são concretas e cinematográficas: “as flores vão pra beira do caminho”, seus cabelos ganham “pirilampos que às estrelas querem chegar” e os rios, ao mirar seus olhos, “pensam que já chegaram ao mar”. Não por acaso, o apelo visual e lírico levou intérpretes como Dorival Caymmi — no álbum “Dorival Caymmi Interpreta Ary Barroso” (1958) — e Elizeth Cardoso a revisitarem a canção, reforçando a natureza como matriz de identidade e afeto no cancioneiro de Barroso.
A sequência narrativa é simples e eficaz. À tarde, a cabocla desce da serra “com os pés sujinhos de terra” e tudo se inclina para admirá-la. Depois, ela adormece na rede; quando o “seio moreno esquece de na camisa ocultar”, “as rolas” (as pombas-do-mato) “cobrem-lhe o colo de penas pra ele se agasalhar”, imagem de cuidado que sugere erotismo com pudor. Vale lembrar que “rola” ganhou leitura sexual no uso popular, mas aqui prevalece o sentido literal de proteção graciosa. Ao cair da noite, cabelos viram céu, olhos viram farol, e a natureza inteira recolhe com ela: “com ela dorme toda a natureza... fica o céu todo apagado”. Só resta a vigília do narrador: “fica um caboclo acordado”, gesto de admiração que não atravessa a linha do respeito.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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