
Terra Seca
Ary Barroso
Retrato do sofrimento e resistência em "Terra Seca"
"Terra Seca", de Ary Barroso, expõe de forma direta o sofrimento do trabalhador negro escravizado, destacando o desgaste físico e emocional causado pelo trabalho forçado. Expressões como “nêgo tá, moiado de suó” e “as mãos do nêgo tá que é calo só” mostram a dureza da rotina, enquanto a repetição de “trabáia, trabáia, nêgo” reforça a exaustão e a desumanização enfrentadas diariamente. Composta em 1943, a música se destaca por dar visibilidade à experiência dos negros escravizados, algo raro na música popular da época. A melodia grave contribui para o tom melancólico e realista da canção.
A letra constrói uma narrativa de perda e resignação, especialmente ao comparar a juventude cheia de energia — “Quando o nêgo chegou por aqui / Era mais vivo e ligeiro que o saci” — com a velhice marcada pelo cansaço: “A velhice chegou e o brinquedo quebrou”. A imagem do “brinquedo quebrado” simboliza o fim da vitalidade e a destruição dos sonhos diante da opressão. O pedido de licença para falar e a confissão de que “nêgo não pode mais trabaiá” revelam submissão e falta de autonomia, enquanto o apelo ao “sinhô” mistura lamento e dignidade. A canção também ganhou força como crítica social e política, sendo interpretada por artistas como Josephine Baker em contextos de denúncia contra a exploração e a injustiça.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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