Luar de Paquetá
Freire Junior
Nessas noites dolorosas
Quando o mar, desfeito em rosas
Se desfolha à Lua cheia
Lembra a ilha um ninho oculto
Onde o amor celebra o culto
Todo encanto que a rodeia
Nos canteiros ondulantes
As nereidas incessantes
Abrem lírios ao luar
A água em prece borborinha
E em redor da capelinha
Vai rezando o verbo amar
Jardim de afetos
Pombal de amores
Humildes tetos
De pescadores
Se a Lua brilha
Que bem nos dá
Amar na ilha
De Paquetá
Pensamento de quem ama
Hóstia azul, fervendo em chama
Entre lábios separados
Pensamento de quem ama
Leva o meu radiograma
Ao jardim dos namorados
Onde é esse paraíso
O caminho que idealizo
Na ascensão para esse altar
Paquetá é um céu profundo
Que começa neste mundo
Mas não sabe onde acabar
Jardim de afetos
Pombal de amores
Humildes tetos
De pescadores
Se a Lua brilha
Que bem nos dá
Amar na ilha
De Paquetá
Sobre o mar de azul rendado
Que é toalha de um noivado
Surge a ilha, taça erguida
E o luar, vinho dourado
Enche a taça do passado
Que embriaga a nossa vida
Ai! Que filtro milagroso
Para a mágoa e para o gozo
O luar da mocidade
Abre as rosas do passado
Para eterna inspiração
Dentro em nosso coração
Jardim de afetos
Pombal de amores
Humildes tetos
De pescadores
Se a Lua brilha
Que bem nos dá
Amar na ilha
De Paquetá



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