As Três Criaturas

Astrikos Katoikos

Na rua oblíqua, noite opaca, lâmpada falha em pavor comum
Zumbi letárgico, tédio mórbido, encara o nada e vê futuro nenhum
Pele em degradação lenta, mente em ruminação acelerada
Niilismo graduado no resto do osso, desistência que não crê em nada

Veio o vampiro ascético, dente ético, crise hemática disciplinada
Bebia clorofila noturna, dieta verde, culpa refinada
Falava de seiva, de moral orgânica, de não ferir criatura alguma
Enquanto a fome vampírica latejava lúgubre, lúcida, e a boca pura espuma

Do beco agonizado surgiu o terceiro, pânico denso, fera contida
Lobisomem lívido, medo vívido, tremor contínuo na forma ferida
Lua ascendente, mente insurgente, suor e tremor em crise crescente
Garra retraída, respiração partida, terror constante, imanente

Três criaturas num acordo incerto
Num projeto torpe de ascensão
Um devora o nada no próprio deserto
Outro jejua a própria maldição
E o terceiro treme diante da Lua
Com a fúria presa na contenção
E o mundo aguarda, alheio à trégua
Essa insanidade em forma de dominação

Os três, nefandos, sinistros, dispersos, resolveram formar aliança
Domínio global, plano fatal, arquitetado sem esperança
Mapas rasgados, planos falhados, choradeira sumária
Cada estratégia virava tragédia de índole caricaturária

O zumbi escrevia manifestos fúnebres, prosa sombria, linguagem devastada
Depressão ontológica em cada linha, existência negada
O vampiro citava tratados botânicos, ética cósmica, seiva vital
Queria um império sustentável sob um regime vegetal

O lobisomem planejava fugas antes mesmo de qualquer ataque
Pânico antecipado, cenário projetado, desmaios antes do impacto
E assim a tríade sombria, grotesca, prosseguia em sua ambição
Um fracasso sublime, uma ópera infame de descoordenação

Três criaturas num acordo incerto
Num projeto torpe de ascensão
Um devora o nada no próprio deserto
Outro jejua a própria maldição
E o terceiro treme diante da Lua
Com a fúria presa na contenção
E o mundo aguarda, alheio à trégua
Essa insanidade em forma de dominação

Invadiram o banco central numa noite pálida, roteiro falho, tensão latente
O zumbi esqueceu o motivo, o vampiro pediu suco de semente
O lobisomem entrou em crise ao ver reflexo na superfície do vidro
E a cena inteira virou delírio, pitoresco vívido e distorcido

Três criaturas num acordo incerto
Num projeto torpe de ascensão
Um devora o nada no próprio deserto
Outro jejua a própria maldição
E o terceiro treme diante da Lua
Com a fúria presa na contenção
E o mundo aguarda, alheio à trégua
Essa insanidade em forma de dominação

A polícia chegou meio confusa, diante daquela composição
Um cadáver deprimido, um conde esfomeado, um lobo humano em convulsão
E enquanto eram levados, tremendo de forma involuntária
O plano de dominação ruía em ironia extraordinária

Três criaturas num acordo incerto
Num projeto torpe de ascensão
Um devora o nada no próprio deserto
Outro jejua a própria maldição
E o terceiro treme diante da Lua
Com a fúria presa na contenção
E o mundo aguarda, alheio à trégua
Essa insanidade em forma de dominação


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