O mundo lhes deu por ocupação
Fechar o ciclo da encarnação
Não por virtude ou inclinação
Mas por herdar tal função

Entre inscrições e enumeração
Aprenderam cedo a proporção
O nome perde ornamentação
O corpo impõe duramente sua lição

O ouro e a lama têm mesma feição
Toda grandeza perde o brasão
O mármore insiste na ilusão
A carne resolve toda a questão

Coveiros sabem o que ninguém diz
O fim é simples, o resto é só verniz
Enquanto o mundo disputa a razão
Eles praticam o fato da conclusão

Já viram pranto virar encenação
E afeto cumprir mera obrigação
Há quem chore por convenção
Há quem calcule a ocasião

Queimam cartas sem destinação
Alianças fora de ocasião
Promessas vencem sem revisão
O futuro falha na previsão

Não zombam da dor nem da aflição
Mas recusam dramatização
Quem convive com a conclusão
Aprende a temer exageração

Coveiros sabem o que ninguém diz
O fim é simples, o resto é só verniz
Enquanto o mundo disputa a razão
Eles praticam o fato da conclusão

As datas erram na anotação
A memória troca versão
A morte mantém precisão
O erro é humano, por definição

Quando regressam à circulação
Ninguém lhes pede avaliação
Carregam verdades sem aplicação
Para qualquer conversação

E sabem, sem estudo ou explicação
Sem consolo ou absolvição
Que toda vida, sem exceção
Termina em igual condição

Coveiros sabem o que ninguém diz
O fim é simples, o resto é só verniz
Enquanto o mundo disputa a razão
Eles praticam o fato da conclusão

Coveiros sabem o que ninguém diz
O fim é simples, o resto é só verniz
Enquanto o mundo disputa a razão
Eles praticam o fato da conclusão


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