
Salve Ferrabrás!
Astrikos Katoikos
Salve Ferrabrás, rei do fogo e do pó
Teu nome retumba onde o mundo é só
Senhor do ferro e das encruzas do mundo
Mestre da magia, sábio do submundo
No berço da noite, quando os vivos respiram ferro
Ergue-se Ferrabrás, o senhor do desterro
Seu olhar é brasido, sua voz, fundamento
Seu passo desenha o próprio tempo
Entre brasas e ventos, ele forja a lei
Com martelo de fogo e sangue de rei
Nas veias corre enxofre, na alma, clarão
E em suas mãos, o peso da criação
Traz nos olhos a lembrança do que ninguém viu
Nas costas, o aço que o destino fundiu
Entre o inferno e o altar, ele é ponte e abismo
Caminha no meio, dono do seu ritmo
Bebe cachaça com santos e deuses antigos
Fala com os mortos como velhos amigos
No ferro da encruza grava seu mandamento
A dor é o preço do discernimento
Salve Ferrabrás, rei do fogo e do pó
Teu nome retumba onde o mundo é só
Senhor do ferro e das encruzas do mundo
Mestre da magia, sábio do submundo
Nas tuas mãos, a espada é prece
O destino obedece, o medo esquece
O diabo te respeita, o anjo te saúda
Teu reinado é a estrada nua
Não há mentira que resista ao teu olhar
Nem vaidade que ouse te enganar
Caminhas com pés firmes sobre o destino
Como ferreiro que molda o divino
Nos portais do tempo, tua voz ecoa
Como tambor de maré em Lua boa
É o sopro que desperta o que dorme
A espada que corta o erro conforme
Suas palavras são fogo, tua presença é lei
E quem te chama, sente quem és e o que sei
Não há feitiço que não te reconheça
Nem alma que resista à tua sentença
Salve Ferrabrás, rei do fogo e do pó
Teu nome retumba onde o mundo é só
Senhor do ferro e das encruzas do mundo
Mestre da magia, sábio do submundo
Quando a guerra estala e o mundo se parte
É tua mão que segura o estandarte
Não há inferno que te amedronte
Nem paraíso que te desaponte
O senhor é o meio, o início e o fim
Ferreiro do cosmos, moldando o ser em mim
Suas brasas acendem a fé escondida
Seu ferro tempera o sentido da vida
Sob seu olhar, o tempo se submete
A morte recua, o ódio se arrepende
Sua presença é força, sua sombra é altar
Seu nome ninguém ousa profanar
Ferrabrás, senhor do ferro e da cruz
És lâmina e verbo, és dor e luz
No breu do mundo sua tocha acende
E até o arcanjo, quando te ouve, compreende
Salve Ferrabrás, rei do fogo e do pó
Teu nome retumba onde o mundo é só
Senhor do ferro e das encruzas do mundo
Mestre da magia, sábio do submundo
Ferrabráz, guardião do ferro e do além
Sua lei é dura, mas justa também
Entre brasas e ventos, seu trono reluz
Exu do ferro, senhor da luz



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