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Maria Barba

Bana

Tradição e saudade em “Maria Barba” de Bana

“Maria Barba”, interpretada por Bana, retrata o cotidiano e os desafios da vida em Cabo Verde, destacando a tensão entre a celebração cultural e as obrigações práticas da comunidade. Quando Maria Barba recusa o pedido insistente do Tenente Serra para cantar mais uma morna, ela evidencia o peso das tarefas diárias. O verso “N ti ta bai nha kamin pa Manga pa matansa di kavenhote” (Eu vou pelo meu caminho para Manga para a matança de gafanhotos) faz referência direta ao trabalho coletivo de combater gafanhotos, uma ameaça real às colheitas locais. Esse detalhe mostra como, muitas vezes, a sobrevivência precisava ser priorizada em relação aos momentos de lazer e expressão artística.

A canção também aborda sentimentos de saudade e despedida, temas centrais na experiência migratória cabo-verdiana. O diálogo entre Maria Barba e o Tenente Serra, que está prestes a partir para Lisboa, simboliza as separações frequentes vividas pelos habitantes do arquipélago. O pedido para que o Tenente não esqueça “de nós” e, especialmente, de Maria Barba, reforça o medo do esquecimento e a importância da memória afetiva. Maria Barba, figura histórica real e pioneira da morna, é homenageada por Bana, que perpetua sua memória e a tradição musical cabo-verdiana ao interpretar a canção.


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