Caprieira

Bernardo Sena

Letra

    Dizem que o chão de Caprieira
    É feito de espera e de signo
    Onde o tempo não cura
    Só marca o que o destino traçou

    Eu nasci sob o frio dessa terra
    Buscando um desígnio
    Mas saí antes que o sol revelasse
    O que em mim se quebrou

    Deixei a herança pros outros
    Abri mão do meu porto
    Mas o passo que avança
    Carrega o que o peito perdeu
    Quem sai de Caprieira
    Nunca sai totalmente morto
    Leva o peso da sombra
    De tudo o que não esqueceu

    Saí, de noite, de Caprieira (noite de Caprieira)
    Saí, de noite, de coração amargurado (dê coração amargurado)
    Saí, de noite, de Caprieira (noite de Caprieira)
    Saí, de noite, de coração amargurado (dê coração amargurado)

    Havia um silêncio de arame
    Cercando o meu dia
    E um não que ecoou
    Como um raio no teto de alguém

    Vi a luz se apagar
    Na janela da minha agonia
    E os olhos dos outros
    Negando o que a gente contém

    Virei o vizinho sem rosto
    O fantasma da estrada
    Um sobrevivente sem cor
    Sem lugar, sem sinal
    Parti na calada da noite
    Com a alma pesada
    Fugindo de um tempo que é
    Por si só, um ritual

    Saí, de noite, de Caprieira (noite de Caprieira)
    Saí, de noite, de coração amargurado (dê coração amargurado)
    Saí, de noite, de Caprieira (noite de Caprieira)
    Saí, de noite, de coração amargurado (dê coração amargurado

    Composição: Bernardo Nobre Soares de Sena. Essa informação está errada? Nos avise.

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