
Devolvo a Espera
Bernardo Sena
Naquela mesa não é o meu lugar
Devolvo a espera, eu não vou mais ficar
A cadeira vazia já não me prende
Eu sigo inteiro, a ferida não me prende
Eis que devolvo a senha, não espero mais
Nem pai externo, nem interno, não voltam atrás
A ausência não dói, não manda mais em mim
Eu digo sim à criança que vive em mim
O assento vazio já não me pertence
A fila acabou, meu coração entende
Não sou discípulo, nem servo fiel
Eu sou a vida, sou voz que rompe o véu
Eis que devolvo a senha, não espero mais
Nem pai externo, nem interno, não voltam atrás
A ausência não dói, não manda mais em mim
Eu digo sim à criança que vive em mim
Não sou engano, nem sombra ferida
Eu sou caminho, eu sou minha vida
Não carrego peso que nunca foi meu
Eu sou herança, da voz que nasceu
Eis que devolvo a senha, não espero mais
Nem pai externo, nem interno, não voltam atrás
A ausência não dói, não manda mais em mim
Eu digo sim à criança que vive em mim
Naquela mesa não é o meu lugar
Não falto lá, não vou mais esperar
Eu sou raiz, florindo no chão
Sou meu começo, sou libertação
Sou libertação
Sou libertação



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