
O Chamado
Bia Ferreira
Resistência e identidade negra em “O Chamado” de Bia Ferreira
Em “O Chamado”, Bia Ferreira utiliza a oralidade como ferramenta de resistência e preservação da memória negra. Ao afirmar “Minha história é contada oralmente, não adiantou cê querer apagar”, ela destaca como a tradição oral foi fundamental para manter vivas as histórias e experiências do povo negro, mesmo diante de tentativas históricas de apagamento. O verso “De boca a boca nóis vamo contando um levante a armando para dominar” reforça que essa transmissão não é apenas cultural, mas também um ato político, um movimento coletivo de enfrentamento às estruturas opressoras.
A música assume um tom de enfrentamento ao desafiar espaços tradicionalmente excludentes, como escolas, faculdades e igrejas, com a declaração “não vão mais me silenciar”. Esse posicionamento reflete a trajetória pessoal de Bia Ferreira, que cresceu em uma família evangélica tradicional e hoje usa sua arte como forma de ativismo, abordando temas como feminismo, antirracismo e homofobia. Ao se autodefinir como “psicopreta” e afirmar “tomei sua caneta, sou bem mais que teta, bunda e corpão”, Bia rompe com estereótipos e reivindica o protagonismo intelectual e político da mulher negra. “O Chamado” é, assim, um convite à mobilização coletiva, ao orgulho e à reinvenção de uma identidade que resiste e se fortalece.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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