23 de Abril de 2021, às 19:00
Ícone do art rock, a Talking Heads surgiu nos anos 70 com uma proposta que misturava o rock, o punk, a world music e os ritmos africanos, sendo uma das precursoras do movimento que ficou conhecido como New Wave.

O maior sucesso da banda, e também uma de suas melhores músicas, é Psycho Killer, lançada em 1977 no álbum Talking Heads: 77. O hit alcançou o topo das paradas e foi incluída no Hall da Fama do Rock and Roll como uma das 500 canções que deram origem ao rock.
Narrando em primeira pessoa o que se passa na mente de um assassino, a letra ganhou um boato inusitado sobre o que teria inspirado a sua composição. Vem saber mais sobre essa história em nossa análise da música Psycho Killer!
Composta por David Byrne, com colaboração do baterista Chris Frantz e da baixista Tina Weymouth, Psycho Killer foi lançada no álbum de estreia do Talking Heads, em 1977, mas sua composição aconteceu muito antes disso.
Ela foi escrita em 1973, na Faculdade de Design de Rhode Island, onde Byrne e Frantz se conheceram e formaram a banda The Artistics. A ideia do vocalista era conseguir produzir algo sombrio, em um estilo parecido com o de Alice Cooper.
Para isso, ele se inspirou também no personagem Norman Bates, o assassino do filme Psicose, de Alfred Hitchcock. No fim das contas, a canção acabou saindo mais com o estilo experimental e esquisitão de Byrne mesmo, mostrando toda a sua genialidade.
A letra começa com o assassino psicótico em questão em uma crise paranóica:
I can’t seem to face up to the facts (Não consigo encarar os fatos)
I’m tense and nervous and I (Estou tenso, nervoso e)
Can’t relax (Não consigo relaxar)
I can’t sleep ’cause my bed’s on fire (Não consigo dormir, porque a minha cama está em chamas)
E assim, segue, retratando de forma assustadoramente convincente os pensamentos do personagem:
You start a conversation you can’t even finish it (Você começa uma conversa que nem pode terminar)
You’re talkin’ a lot, but you’re not sayin’ anything (Você fala, fala e não diz nada)
When I have nothing to say, my lips are sealed (Quando não tenho nada para dizer meus lábios ficam selados)
Say something once, why say it again? (Se você diz algo uma vez, por que dizer novamente?)
Quando escreveu a letra, Byrne queria que a ponte da música fosse cantada em japonês. No entanto, ao pedir para uma amiga que falava o idioma para que escrevesse algumas frases de teor homicida, ela se assustou e negou 😅
Assim, coube à Tina Weymouth, que namorava com Chris Frantz na época, escrever um trecho em francês, língua que domina. Assim como Byrne, a baixista também incorporou Norman Bates para escrever os seguintes versos:
Ce que j’ai fais, ce soir la (O que eu fiz, esta noite)
Ce qu’elle a dit, ce soir la (O que ela disse, esta noite)
Realisant mon espoir (Concretizando, minha esperança)
Je me lance, vers la gloire (Eu lanço-me à glória)
Assim como o protagonista do filme, o assassino da canção também tem mulheres como alvo.
Uma curiosidade é que o verso final foi inspirado nas últimas palavras ditas pela bailarina Isadora Duncan. Em 1927, ela se despediu dos amigos dizendo Adeus, amigos. Vou em direção à glória! antes de acabar morrendo estrangulada em um acidente em Nice, na França.
No refrão, há também uma frase dita em francês: Qu’est-ce que c’est?, que significa o que é isso?
Ainda no refrão, o letrista utiliza mais uma referência: o clássico Fa-fa-fa-fa-fa (sad song), de Otis Redding, uma lenda da música soul, gênero que é uma forte influência para o Talking Heads.
Se em sua música Redding usa o fa para dar andamento no ritmo, aqui David Byrne faz uma brincadeira com as palavras, usando a sílaba para fazer um aviso sinistro:
Fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, far better (muito melhor)
Run, run, run, run, run, run, run away (fuja pra longe)
Com esse tipo de humor, o próprio compositor considerava a música meio boba, mas ela acabou se tornando o maior hit da banda.
Circula pela internet uma versão nunca confirmada de que a canção teria sido inspirada em uma história real ocorrida nos Estados Unidos.
Segundo essa versão, uma mulher que morava com seus dois filhos em uma cidade do interior entrou em contato com a polícia dizendo receber ligações estranhas. Toda vez que ela atendia, uma voz desconhecida dizia apenas Fa fa fa fa fa e desligava.
A polícia prometeu investigar e grampeou o telefone dela. Depois de atender mais uma vez à mesma ligação, a polícia entrou em contato com ela mandando que saísse de casa naquela hora, já que o telefonema tinha vindo do interior da residência.
Ao descer as escadas para buscar os filhos, a mulher os encontrou enforcados. E o assassino nunca foi encontrado. Em uma crise de loucura, ela teria fugido correndo, sendo localizada mais tarde na França.
Embora sinistra, a história contada acima não passa de um boato. No entanto, há uma origem real: entre 1976 e 1977, meses antes da música ser lançada, o serial killer David Berkowitz aterrorizou a cidade de Nova York depois de assassinar seis pessoas.

Ele foi capturado pela polícia em 10 de agosto de 1977 e cumpre prisão perpétua. Quando a canção saiu, muita gente acreditou que a letra falasse dele mas, como mostramos, ela foi composta muitos anos antes do caso.
O Talking Heads é uma das principais bandas do estilo irreverente surgido nos anos 70. Depois de conferir a análise da música Psycho Killer, aproveita pra conferir agora quais são as 12 melhores bandas de new wave!


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