Arlindo Cruz: relembre a biografia do ícone do samba carioca

Arlindo Cruz foi um dos maiores símbolos do samba carioca, com mais de 500 músicas gravadas e parcerias marcantes. Confira o legado do sambista.

Biografias · Por Ana Paula Marques

8 de Agosto de 2025, às 16:39


A biografia de Arlindo Cruz o tornou um dos maiores nomes do samba carioca. Com uma trajetória que se entrelaçou com a história da música popular do Brasil, ele foi um artista completo: compositor, cantor, instrumentista e cronista do cotidiano brasileiro.

Sua contribuição para o gênero foi muito além da performance: ele é símbolo de resistência cultural, mestre do cavaquinho e responsável por sucessos que embalaram gerações.

Arlindo Cruz
Reprodução: Instagram

Nascido e criado no Rio, ele também foi sinônimo de afeto para os fãs, que acompanharam com esperança cada notícia sobre sua saúde, especialmente desde o AVC sofrido em 2017.

Neste texto, você vai conhecer melhor quem foi Arlindo Cruz e a importância do seu trabalho para a música brasileira.

Quem foi Arlindo Cruz? Saiba tudo sobre a biografia do sambista

A biografia de Arlindo Cruz começou em 14 de setembro de 1958, no subúrbio carioca: ele nasceu no bairro de Madureira, considerado o berço do samba no Rio de Janeiro.

Oficialmente chamado Arlindo Domingos da Cruz Filho, o artista herdou o talento e a paixão pela música do pai, Arlindão Cruz, cavaquinista de prestígio e parceiro de nomes como Candeia.

A musicalidade estava no sangue: sua mãe, Aracy, tocava pandeiro; o tio, violão; e seu irmão, Acyr Marques, também se tornaria compositor.

Ele ganhou o primeiro cavaquinho ainda na infância, aos 7 anos, e menos de 5 anos depois já era capaz de tocar de ouvido e se aventurar no violão clássico, instrumento que estudou formalmente em uma escola de música.

Primeiras rodas e conexões com o samba carioca

A juventude de Arlindo foi marcada por encontros com nomes que também fariam história. Frequentador das rodas do Cacique de Ramos, conviveu desde cedo com Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Almir Guineto e Sombrinha, que viria a ser parceiro em diversos projetos. 

Na mesma época, teve suas primeiras composições gravadas, como Lição de Malandragem, bem como hits interpretados por Alcione e Beth Carvalho.

A consagração veio quando entrou para o Fundo de Quintal, em 1981. Ele ganhou os palcos como cavaquinista, banjista, cantor e compositor ao longo de 12 anos, dezenas de discos e faixas como Castelo de Cera, O Mapa da Mina e Seja Sambista Também.

A carreira solo e a vida pós-Fundo de Quintal

Em 1993, Arlindo Cruz decidiu deixar o Fundo de Quintal para se aventurar em carreira solo. O debut ocorreu no mesmo ano, com o álbum Arlindinho.

A partir daí, o artista aprofundou sua parceria com Sombrinha, com quem já havia colaborado desde os tempos do Cacique de Ramos.

Juntos, os dois lançaram cinco álbuns de estúdio entre 1996 e 2002, incluindo Da Música (1996), que vendeu mais de 60 mil cópias, Samba É a Nossa Cara (1997) e Ao Vivo (2000).

Esse período foi decisivo para consolidar a carreira solo de Arlindo Cruz: ele se afirmava cada vez mais como um autor de mão cheia, além de intérprete carismático, capaz de conectar o samba de raiz às novas linguagens musicais dos anos 1990.

Ao longo dos anos 2000, acumulou parcerias de peso, lançou DVDs e foi reconhecido com prêmios como o Estandarte de Ouro e o Prêmio da Música Brasileira.

Projetos como Pagode do Arlindo e MTV ao Vivo (2009) expandiram seu alcance, mostrando sua versatilidade e conquistando um novo público. O álbum Batuques do Meu Lugar (2013) chegou a concorrer ao Prêmio Contigo! MPB FM de Música.

Uma máquina de compor com o DNA do Rio de Janeiro

Responder à pergunta “qual foi o maior sucesso de Arlindo Cruz” não é tarefa simples: são mais de 500 faixas gravadas e cerca de 3.000 participações em gravações de grandes nomes da música brasileira.

Há muitos destaques memoráveis, como Bagaço da Laranja, Casal Sem Vergonha, A Sete Chaves, Jiló com Pimenta e Dor de Amor, interpretadas por gigantes como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Alcione e Reinaldo.

Além da longeva parceria com Sombrinha, Arlindo também dividiu palco e estúdio com Xande de Pilares, Leci Brandão e Belo, o que o consolida entre os maiores criadores da história recente do samba.

Entre 2001 e 2016, foi indicado cinco vezes ao Grammy Latino, além de ser laureado com o Prêmio da Música Brasileira, o MTV Video Music Brasil e diversas edições do Estandarte de Ouro.

Também foi responsável por composições que brilharam nos carnavais de diversas escolas de samba de elite da capital fluminense, incluindo Império Serrano, Grande Rio e Vila Isabel.

O último trabalho antes do AVC que encerrou sua carreira precocemente foi o projeto Pagode 2 Arlindos, com o filho Arlindinho, que misturava gerações e mantinha viva a herança musical da família Cruz.

Biografia de Arlindo Cruz: a vida pessoal do sambista

É impossível falar sobre a biografia de Arlindo Cruz sem citar a empresária Babi Cruz, figura central na vida do cantor. Os dois oficializaram a união em 2012, mas estiveram juntos por mais de 30 anos.

Arlindo e Babi tiveram dois filhos: Arlindo Neto (Arlindinho), que segue os passos do pai na música, e Flora Cruz. O sambista também teve um outro filho, fruto de uma relação extraconjugal, Kauan Felipe Cruz.

Em setembro de 2025, o artista completaria 67 anos, sendo mais da metade deles dedicados ao samba. Por isso, para realmente entender quem foi Arlindo Cruz, basta escutar sua obra: ela fala de amor, fé, luta e a alegria que só o samba sabe traduzir.

Saúde e superação: o que aconteceu com Arlindo Cruz?

Em março de 2017, quando se preparava para uma apresentação ao lado do filho, Arlindinho, o artista sofreu um AVC hemorrágico em casa.

Desde então, sua carreira artística foi interrompida, e ele passou a receber cuidados médicos em regime domiciliar. O quadro deixou sequelas motoras e na fala, exigindo acompanhamento intensivo.

Sua rotina mudou radicalmente. O cantor passou a viver sob cuidados médicos intensivos em regime domiciliar, cercado pelo carinho da família e dos fãs.

Apesar das limitações, Arlindo apresentou sinais de melhora ao longo dos anos, até que em abril de 2025, ele foi internado com um quadro de pneumonia e derrame pleural, permanecendo 50 dias no hospital.

Recebeu alta no dia 18 de junho, retornando para casa com suporte clínico e fisioterapia especializada. Contudo, apenas um mês depois, Arlindo foi novamente internado, desta vez com um quadro de pneumonia agravado por uma bactéria resistente.

Durante esse período, o cantor apresentou queda nos estímulos motores e passou a respirar com suporte.

O falecimento de Arlindo Cruz

Arlindo Cruz faleceu no dia 08 de agosto de 2025, aos 66 anos, no hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por Babi Cruz.

A família divulgou um comunicado lamentando a perda e destacando o legado deixado por ele.

Arlindo foi um poeta do samba, um homem que dedicou sua vida a espalhar música e amor. Sua voz, suas composições e seu sorriso ficarão eternamente na memória e no coração de seus admiradores, diz a nota.

O texto também agradece as inúmeras mensagens de afeto recebidas ao longo da trajetória do artista e neste momento difícil. Arlindo deixa um legado imenso para a cultura brasileira e um exemplo de força, humildade e paixão pela arte, completa a família.

Frases de samba incríveis para compartilhar nas redes sociais

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