20 de Fevereiro de 2026, às 09:00
A Igreja é o lugar de todos, sem distinção. Motivado por essa verdade, Marco Telles resolveu compor Auê (A Fé Ganhou), com significado que remete à celebração da diversidade no meio cristão.
As pessoas que vivem à margem da sociedade, representadas pela figura do “Zé” e da “Maria” na letra de Auê (A Fé Ganhou), são acolhidas pela religião e encontram conforto nas suas dores. Assim, o cantor nos faz refletir sobre a exclusão contra esses grupos, inclusive no próprio meio religioso.
Vale a pena saber mais sobre o significado de Auê (A Fé Ganhou). Se você quer se aprofundar nessa mensagem, continue lendo a seguir!
Marco Telles faz parte do Coletivo Candiero e lançou, por meio desse projeto, o louvor Auê (A Fé Ganhou) em 2025. É uma composição dele e de Filipe da Guia, com participação especial da cantora Ana Heloysa e, claro, dos demais músicos do Coletivo.
O hino é uma espécie de sermão musical, formato artístico desenvolvido pelo próprio Marco Telles, que une música e mensagem bíblica. No caso de Auê (A Fé Ganhou), a inspiração do cantor foi a Parábola do Grande Banquete, presente em Lucas 14.
Essa passagem narra a história de um homem que preparou uma grande festa, mas todos os seus convidados se recusaram a participar, dando desculpas fúteis. Tomado pela raiva, ele ordena que os seus servos tragam os pobres, os mancos e os cegos das ruas para lotar a sua mesa.
Com ela, Jesus nos ensina que o Reino de Deus está aberto a todos, sem qualquer distinção, principalmente os marginalizados. Assim, aqueles que têm apenas interesses em bens materiais e não se preocupam com a elevação espiritual estarão cada vez mais distantes da salvação.
Marco Telles também se inspirou em um período de imersão que fez na tribo do povo indígena Pataxó. Tanto que o título do hino, “Auê”, é uma palavra do tupi, que significa “festa” ou “celebração a Deus”.
Além disso, na melodia, o compositor usou ritmos nordestinos, o que reforça ainda mais essa ideia de inclusão celebrada pela letra. Sem falar da combinação dos timbres diferentes de Marco Telles e da cantora Ana Heloysa. Com isso, ele também exalta a cultura brasileira e a sua imensa diversidade artística.
A letra de Auê (A Fé Ganhou) já começa com um convite para todos entrarmos na casa do Pai.
Em referência à Parábola do Grande Banquete, Marco Telles usa a figura do lustre para representar a festa e a riqueza. Quando esse objeto luxuoso cai no chão, as pessoas materialistas perdem o interesse, assim como acontece na passagem bíblica.
Pode entrar, eu ouvi
Alagou o olhar
Quando o lustre tá no chão
Onde os meus estão?
O verso “Com a folha, eu aprendi como se deve cair” aparece em várias estrofes da canção. Ele representa o ensinamento de Cristo da vida de humildade e aceitação das nossas próprias imperfeições.
As mãos estendidas fazem referência ao acolhimento e ao amor incondicional de Deus, que não distingue raça, cor ou classe social.
Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas brigas
As figuras do “Zé” e da “Maria” representam exatamente as pessoas comuns que a sociedade exclui e marginaliza, mas são aceitas e acolhidas na casa do Senhor.
Agora que o Zé entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou, e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o céu se abriu
Agora que a fé ganhou e a Maria sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o céu coloriu
O verso “Ninguém se acostumou, mas o céu se abriu” demonstra o estranhamento de quem já está na Igreja e julga esses grupos sociais, em contradição ao que Cristo nos ensinou. Afinal, o Pai recebe a todos de braços abertos.
Apesar de ter sido lançada em 2025, Auê (A Fé Ganhou) conquistou o público em janeiro de 2026, com a divulgação do clipe ao vivo, dentro do projeto O Grande Banquete – Ao Vivo em João Pessoa.
No dia 3 de fevereiro, o clipe ficou em 7º lugar no ranking das músicas em alta no Brasil e em 12º no ranking de vídeo de músicas em alta no dia, de acordo com a Revista Istoé. No Spotify, a faixa ficou em 6º lugar no dia 4 e entrou para os charts do Viral Songs Brazil.
A letra e a melodia agradaram os cristãos, mas a mensagem também gerou bastante polêmica nas redes sociais, principalmente por causa da estrofe que cita os personagens Zé e Maria e faz menção ao samba.
Algumas pessoas postaram reações no Instagram e no TikTok, dizendo que Marco Telles teria mencionado elementos de outras religiões, como as de matriz africana, para compor o louvor. Segundo essas postagens, a conciliação do Cristianismo com outras crenças é incompatível com a Palavra de Jesus.
Para esclarecer essa questão, Marco Telles postou um vídeo no YouTube, explicando que os nomes “Zé” e “Maria” são muito comuns no Brasil e todo mundo conhece alguém que se chama assim. Então, eles representam o povo, as pessoas que, por mais comuns que sejam, são convidadas ao banquete de Deus.
O cantor ainda justificou a menção ao samba, uma das expressões artísticas mais características do nosso país. Por ser um ritmo que marca momentos de festa e celebração, ele resolveu citá-lo nessa letra, que celebra a chegada dos pecadores que se arrependem e são convidados a sentar à mesa com o Pai.
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