12 de Maio de 2023, às 12:00
A cultura do conforto e a música nunca fizeram tanto sentido como nos dias atuais, diante das incertezas da vida moderna. Ouvir a mesma playlist infinitas vezes em busca dos sentimentos positivos que só a arte nos proporciona: você tem esse costume?
Revisitar filmes, livros, séries e músicas nos dão uma sensação de aconchego, uma espécie de certeza de que não há como se decepcionar ao consumir conteúdos que já conhecemos.
Durante a pandemia, a cultura do conforto ganhou ainda mais força e 72% das pessoas, isoladas em casa, preferiram recorrer a conteúdos mais familiares, como prova uma pesquisa realizada pelo Grupo Consumoteca.
Nada melhor do que recorrer a músicas para acalmar o coração quando estamos um tanto desiludidos e querendo algo que nos traga a sensação de acolhimento. Vamos entender um pouco mais sobre o tema a seguir.
Seu dia de folga finalmente chegou e você quer aproveitar o pouco tempo livre para assistir alguma coisa legal. Diante dos diversos cardápios dos serviços de streamings, você se sente perdido com lançamentos e filmes e séries que nunca assistiu. Até pensa dar uma chance, mas acaba escolhendo aquele comfort movie que você já até perdeu as contas de quantas vezes assistiu.
A cultura do conforto é um termo usado para o comportamento das pessoas em buscar estabelecer memórias, conforto e aconchego em conteúdos e atividades familiares. Essa tendência se intensificou ainda mais durante a pandemia, que inclusive interferiu no comportamento e na percepção do público a respeito dos novos lançamentos.
Tomados pelo medo, ansiedade e incertezas em relação ao futuro, ninguém estava muito preocupado em consumir lançamentos e o foco se virou para as obras do passado, que geram a lembrança de uma época diferente.
Aliás, como De Volta Para o Futuro ou Curtindo a Vida Adoidado poderiam nos decepcionar em um fim de domingo chuvoso, não é verdade? Essa é a premissa principal da cultura do conforto — que por sinal, está presente em diversos aspectos da nossa vida e não apenas no consumo de filmes, séries e músicas.
Não por acaso, muitas vezes recorremos ao mesmo bar ou à mesma cafeteria porque conhecemos a experiência e tudo o que ela pode nos proporcionar de benefícios. Não deixa de ser uma forma de evitar correr o risco de se decepcionar com o novo.
Por isso, a cultura do conforto tem sido uma tendência crescente de buscar alento e tranquilidade, evitando assim o desconforto.
Durante o período de isolamento, muitos optaram por ouvir músicas da época da adolescência como forma de relembrar bons momentos e se conectar com algo positivo. O interesse maior em obras do passado fez com que o mercado reavaliasse os lançamentos.
Alguns produtores, no período da pandemia, suspenderam lançamentos de novelas, filmes, discos e séries. Sendo que, quem optou por arriscar, viu sua obra ser pouco absorvida pelas pessoas, que estavam mais interessadas na busca pela nostalgia.
Um relatório divulgado pela Music Business Worldwide mostrou que, no primeiro semestre de 2022, somente 27,6% das músicas consumidas eram lançamentos. Naquele momento, havia uma preferência maior em buscar playlists para sentir nostalgia.
Séries e filmes de sucesso tiveram um papel importante em trazer de volta clássicos do passado — como aconteceu com Stranger Things, que colocou Master of Puppets, do Metallica, e Running Up That Hill, de Kate Bush, de volta ao topo das paradas.
A série The Last of Us foi outra que trouxe de volta grandes hits dos anos 80, como Take On Me, da banda norueguesa a-ha, e Never Let Me Down Again, do Depeche Mode, entre outros sucessos de diferentes épocas.
No encontro da onda nostálgica com a cultura do conforto e música, algumas bandas dos anos 2000 voltaram, para a alegria dos fãs. É o caso do NX Zero, RBD e Paramore.
Os integrantes do NX Zero, banda formada em 2001 e que estava em hiato desde 2017, tem utilizado as redes sociais para manter contato com os fãs e postar vídeos em que explicam as histórias das canções.
Após 15 anos longe dos palcos, o RBD também aproveitou o momento nostalgia para retornar às atividades. O grupo mexicano de pop latino formado em 2004 anunciou uma turnê mundial — que passará pelo Brasil nos dias 17 e 19 de novembro, no estádio Allianz Parque, em São Paulo, e no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro.
A banda americana Paramore, formada em 2004, também anunciou o retorno em 2021 e fez shows no Brasil em março deste ano. Embora muitos dos fãs desses grupos atualmente sejam adultos, a emoção e o entusiasmo continuam o mesmo, comprovando o quão forte é a relação entre a cultura do conforto e a música.
Faz parte da natureza humana buscar algum tipo de fuga para amenizar os momentos de estresse e desconforto. Esse escapismo não é algo ruim, uma vez que a nostalgia pode ser uma emoção positiva e até mesmo funcionar como uma força criativa.
Ao buscar essa conexão com o passado, se abre espaço para novas inspirações e caminhos diferentes podem surgir, principalmente quando falamos de artes em geral. Ou seja, você revistar sua playlist e série favorita não significa que está renegando o presente, apenas está em busca do conforto e de uma tranquilidade momentânea.
Sendo assim, tenha em mente que, se você buscar essa fuga apenas nos momentos de entretenimento, está tudo bem — o que não pode é usar o escapismo como uma maneira de evitar novas experiências, até porque, nada substitui a vida real.
Principalmente na produção musical, a inércia tende a afetar a conquista de novos espaços, o que pode ser negativo para a criatividade e a inovação.
E para nós, consumidores de música, a dica é buscar o conforto nas playlists que aquecem o coração, mas também ser proativo para descobrir novos ritmos, sons, bandas e artistas fora do algoritmo.
Conta pra gente aqui nos comentários se você é um dos adeptos da cultura do conforto? E para continuar no clima de nostalgia, vem conferir 12 hits do passado que voltaram com tudo.





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