Músicas sobre guerra: 11 canções que abordam conflitos históricos

Conheça músicas que retratam conflitos históricos, da Segunda Guerra Mundial ao Vietnã, e entenda o contexto por trás de cada canção.

Listas musicais · Por Elaine Caroline

3 de Junho de 2024, às 12:00


As consequências da guerra (humanas, territoriais e sociais) atravessaram gerações e influenciam diferentes formas de expressão artística até hoje. Assim como as canções de protesto, muitas músicas sobre guerra funcionam como registros históricos.

Elas documentam o período em que foram criadas, expressam o impacto dos conflitos sobre a população civil e, em alguns casos, questionam as motivações por trás das guerras.

A seguir, apresentamos 11 músicas que abordam guerras e conflitos históricos, com o contexto que deu origem a cada uma delas.

11 músicas sobre guerra e os conflitos que elas retratam

A seleção abaixo reúne canções de diferentes gêneros e épocas – do folk ao heavy metal, do reggae ao rock – que têm em comum o fato de a guerra ser o tema central.

Cada uma foi criada em um contexto específico, e entender esse contexto ajuda a compreender tanto a obra quanto o período histórico que ela retrata.

Masters of War – Bob Dylan

Composta durante a Guerra Fria e no contexto da Guerra do Vietnã, Masters of War é frequentemente citada entre as canções mais representativas da crítica ao militarismo.

Na letra, Bob Dylan dirige-se àqueles que, segundo ele, constroem e lucram com a indústria bélica sem enfrentar as consequências diretas dos conflitos.

A canção é baseada na melodia tradicional Nottamun Town e marca uma das fases mais explicitamente políticas da obra do artista.

Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones – Engenheiros do Hawaii

Versão brasileira da canção italiana C’era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, gravada originalmente por Gianni Morandi em 1966, a releitura dos Engenheiros do Hawaii narra a história de um jovem norte-americano convocado para a Guerra do Vietnã.

Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones é construída em torno do contraste entre a juventude interrompida e a realidade da guerra – um paralelo que representa a experiência de milhares de jovens enviados ao conflito.

Aces High – Iron Maiden

Aces High aborda a Batalha da Inglaterra, travada em 1940 durante a Segunda Guerra Mundial. A canção descreve os combates aéreos entre a Royal Air Force britânica e a Luftwaffe, a força aérea da Alemanha Nazista – considerada uma das campanhas de guerra área mais intensas do conflito.

O Iron Maiden é reconhecido por incorporar referências históricas em suas letras, e esta faixa é um dos exemplos mais citados dessa característica.

Protect The Land – System of a Down

Lançada em 2020, Protect The Land foi criada em resposta ao conflito de Nagorno-Karabakh (Alto Carabaque), região do Azerbaijão que voltou a ser palco de hostilidades armadas naquele ano.

Os integrantes do System of a Down têm origem armênia e usaram a canção – a primeira inédita da banda em cerca de 15 anos – como forma de chamar atenção internacional para o conflito.

Nagorno-Karabakh é um território que esteve no centro de disputas armadas desde o período final da União Soviética, com uma guerra entre 1988 e 1994 e tensões contínuas nas décadas seguintes.

Fortunate Son – Creedence Clearwater Revival

Lançada em 1969, Fortunate Son é uma das canções mais conhecidas sobre a Guerra do Vietnã.

A letra questiona a desigualdade na convocação militar: enquanto filhos de famílias influentes encontravam meios de evitar o serviço, jovens de classes trabalhadoras eram os que frequentemente iam ao campo de batalha.

A canção permanece como um documento cultural relevante do período de maior tensão social nos Estados Unidos em torno do conflito vietnamita.

One – Metallica

One é baseada no romance Johnny Vai à Guerra, de Dalton Trumbo (1939) – obra censurada nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial por seu caráter crítico.

O livro, e consequentemente a canção, narram a história de um soldado da Primeira Guerra Mundial que sobrevive gravemente mutilado, sem membros e sem sentidos, preso à própria consciência.

O Metallica lançou o primeiro videoclipe de sua carreira para essa faixa, incorporando imagens do filme homônimo baseado no romance.

Rosa de Hiroshima – Secos e Molhados

Rosa de Hiroshima é originalmente um poema de Vinícius de Moraes, musicado por Gerson Conrad e interpretado pela banda Secos e Molhados em 1973.

A canção aborda as consequências dos bombardeios nucleares sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945 – o único uso de armas nucleares contra populações civis registrado na história.

Os ataques ocorreram no contexto do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, após a rejeição do Japão aos termos de rendição estabelecidos pelas potências aliadas. As estimativas de mortes variam entre 130 mil e 226 mil pessoas, incluindo os efeitos de longo prazo da radiação.

When The Tigers Broke Free – Pink Floyd

Composta por Roger Waters e lançada originalmente em 1982, When The Tigers Broke Free é uma canção de caráter autobiográfico. A letra faz referência à Operação Shingle (1944), quando tropas britânicas desembarcaram em Anzio, na Itália, durante a campanha de libertação de Roma do domínio nazista.

O pai de Roger Waters, Eric Fletcher Waters, serviu nos Fuzileiros Reais Britânicos e morreu nessa operação. A canção integra o filme The Wall (1982) e é considerada uma das mais pessoais da obra do artista.

War – Edwin Starr

Composta por Norman Whitfield e Barrett Strong, War foi gravada originalmente pela banda The Temptations em 1970, mas foi a versão de Edwin Starr – lançada no mesmo ano – que se tornou a mais conhecida.

A canção expressa uma posição explícita contra a participação norte-americana na Guerra do Vietnã e chegou ao primeiro lugar nas paradas musicais dos Estados Unidos.

A gravação de Starr é frequentemente citada como um dos registros mais contundentes da música de protesto daquele período.

Where Have All the Flowers Gone? – Pete Seeger

Escrita por Pete Seeger em 1955 e gravada em diferentes versões ao longo das décadas seguintes, Where Have All the Flowers Gone? traça um ciclo que vai da juventude ao campo de batalha e ao cemitério, questionando o que resta após os conflitos armados.

A estrutura circular da letra reforça a ideia de repetição: guerras que se sucedem sem que as gerações anteriores sirvam como aprendizado.

A canção foi interpretada por dezenas de artistas ao redor do mundo e se tornou uma das mais reconhecidas dentro do repertório das canções pacifistas do século XX.

Buffalo Soldier – Bob Marley

Lançada postumamente em 1983, Buffalo Soldier faz referência aos regimentos de cavalaria formados por soldados negros que atuaram nos Estados Unidos após a Guerra Civil, a partir de 1866.

Apelidados de “Buffalo Soldiers” pelos povos indígenas, esses soldados foram utilizados em campanhas militares contra comunidades nativas americanas, em conflitos que envolviam, sobretudo, disputas territoriais.

Bob Marley utilizou essa referência histórica para construir uma reflexão mais ampla sobre resistência e identidade, relacionando a trajetória desses soldados à experiência diaspórica africana.

A música como registro histórico

Conhecer o contexto por trás de músicas como as que apresentamos é uma forma de compreender, também, como os conflitos repercutiram além dos campos de batalha – nas culturas, nas famílias e nas gerações que vieram depois.

Se você se interessa por canções que tenham histórias verdadeiras como pano de fundo, confira as músicas inspiradas em histórias reais.

Músicas inspiradas em histórias reais

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