4 de Março de 2026, às 12:00
Se você já se perguntou o que é salsa, a resposta remete aos clubes e ruas de Nova York entre as décadas de 1960 e 1970, quando o som de percussão marcada, metais vibrantes e vozes que convidavam à dança ganhou forma a partir de raízes afro-cubanas.
Depois do auge comercial e cultural vivido nos anos 1970, quando a salsa dominava rádios e grandes arenas, o gênero voltou com força às paradas globais, em boa parte graças a artistas como Bad Bunny.
Neste texto, você vai entender o significado da salsa, como o gênero se estruturou musicalmente, quem foram os grandes nomes responsáveis por sua expansão e por que a salsa hoje continua relevante. Continue lendo!
A salsa que hoje conhecemos é o resultado de décadas de fusão: o son cubano abraçado pelos ritmos afro-caribenhos, mambo, rumba e jazz que vinha dos clubes nova-iorquinos.
Desse encontro entre culturas, nas mãos dos trabalhadores porto-riquenhos e cubanos que lotavam o Bronx e o Harlem nos anos 1960, veio também o nome: “salsa”, em espanhol, significa “molho”, o tempero que reúne ingredientes distintos e dá sabor a tudo.
A palavra era usada como um grito pelos músicos durante as apresentações, como uma forma de esquentar o ambiente e convocar os dançarinos para a pista. Com o tempo, o termo passou a nomear o próprio estilo.
Musicalmente, essa mistura ganhou forma em torno da clave, um padrão rítmico binário que organiza toda a estrutura da música, geralmente nas variações 3-2 ou 2-3. A clave é o eixo que orienta harmonia, fraseado e arranjos.
Sobre ela se apoiam as congas, bongôs e timbales, enquanto os metais (trompetes e trombones, especialmente) dão à salsa o ataque urbano que diferenciou o som nova-iorquino da tradição cubana anterior.
Também por isso, houve debates sobre se a salsa era realmente um gênero novo ou apenas música cubana com outro nome. Fato é que o rótulo ajudou a consolidar um movimento cultural e a projetá-lo para a América Latina, Europa e outros continentes.
Para realmente saber o que é salsa, é imprescindível conhecer a Fania Records. Fundada em 1964 em Nova York pelo flautista dominicano Johnny Pacheco e pelo advogado Jerry Masucci, o selo começou vendendo discos em um carro pelos bairros latinos da cidade.
O grupo Fania All-Stars foi o principal veículo dessa revolução, lotando o Yankee Stadium e o Madison Square Garden e levando a música para a América Latina, a Europa e a África. Mas é nos nomes que a carregaram que a salsa ganhou rosto.
O trombonista foi um dos arquitetos do som nova-iorquino da salsa, responsável por dar ao gênero um peso urbano que o diferenciou da tradição cubana. Ao lado de Rubén Blades, gravou Siembra, considerado o maior álbum da história da salsa.
Colón, que morreu em fevereiro de 2026, aos 75 anos, também foi uma voz ativa na defesa da comunidade latina nos Estados Unidos, reforçando o papel da salsa como expressão cultural e política.
Nascido em Ponce, Porto Rico, Lavoe tinha uma voz que carregava ao mesmo tempo alegria e tragédia. El Cantante e Periódico de Ayer são daquelas músicas que a gente ouve uma vez e não esquece mais.
A rainha da salsa era outro mundo: exuberante, potente, capaz de transformar qualquer palco numa festa. Quimbara e La Vida Es Un Carnaval são do tipo de música que faz qualquer um querer dançar nos primeiros segundos, não tem como ficar parado.
O panamenho trouxe à salsa uma dimensão literária que o gênero havia raramente explorado: letras com personagens complexos, tramas urbanas e crítica social, mais próximas do conto do que da canção convencional.
Pedro Navaja, faixa de abertura do Siembra, é o exemplo mais acabado disso, contando um encontro fatal nas ruas de Nova York com reviravoltas, detalhes cinematográficos e uma moral no final que ficou gravada na memória de gerações.
O timbaleiro do Harlem passou décadas construindo uma ponte entre o jazz e a música latina. Oye Como Va acabou se tornando um dos padrões do gênero, e a versão de Carlos Santana na virada dos anos 1970 levou a música para um público ainda maior.
Nos anos 1990, Marc Anthony redefiniu o que a salsa podia ser no mercado mainstream. Ele trouxe o gênero para as grandes arenas sem abrir mão da essência, com destaque para faixas como Valió la Pena e Vivir Mi Vida.
O venezuelano é, talvez, o mais completo: toca baixo, dança, improvisa e canta com uma alegria que parece impossível de fabricar. Llorarás e Eso Se Baila Así são grandes clássicos.
Apesar de ocupar um lugar de nostalgia por quem a viveu, a salsa também foi incorporada ao som de artistas do novo pop latino, levando o gênero a uma audiência global que até então pouco conhecia suas raízes.
Um exemplo simbólico desse retorno veio com Bad Bunny, que já havia transitado por várias referências da música caribenha, ao lançar BAILE INoLVIDABLE.
A música fez história como a primeira salsa a alcançar o 1º lugar na parada global da Apple Music.
O sucesso de Bad Bunny com a salsa não veio do nada, uma vez que o gênero nunca perdeu sua base e seguiu sendo tocado em festas, rádios e bailes latinos pelo mundo inteiro.
Bad Bunny levou a salsa ao topo do mainstream global, apresentando o ritmo a uma geração que talvez o conhecesse de nome, mas nunca o tivesse ouvido atentamente antes.
Hoje, as músicas salsa convivem nas playlists com trap, pop e reggaeton, muitas vezes sem que o ouvinte perceba que está consumindo um ritmo com mais de meio século de história.
Quer saber mais sobre o disco que trouxe o Bad Bunny de volta à salsa e à música caribenha? Confira tudo sobre as músicas de DeBÍ TiRAR MáS FOToS, de Bad Bunny.





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