O que significa a música Ragatanga? Essa teoria vai te surpreender

Examinando letras · Por Dora Guerra

21 de Maio de 2019, às 07:00

O ano é 2002 e Ragatanga parece estar dominando o Brasil. Os shows da turnê de estreia da banda Rouge estão esgotados e todo mundo sabe a coreografia quando toca Aserehe rá de rê!

Se você não viveu essa época, ou se você se lembra como se fosse ontem, uma coisa é certa: Ragatanga é um marco no pop brasileiro, com um sucesso estrondoso – algo como uma Macarena do século XXI. A versão original, Aserejé, está entre os singles mais vendidos de todos os tempos – ultrapassando 7 milhões de cópias.

Ragatanga
Ragatanga em show do grupo Rouge em 2018 / Créditos: Divulgação

Como é que surgiu essa música tão famosa mundialmente? O que é que ela significa, afinal de contas? Vem ver o que descobrimos e se surpreenda!

Será que a letra não significa nada mesmo?

Se você dançou esse hit em festinhas, provavelmente estranhou o quão diferente é o refrão e achou meio sem sentido, não é? Muita gente pensa assim – mas estamos aqui para te contar que a música tem uma explicação!

Como mencionamos, a versão original é em espanhol e se chama Aserejé, lançada pelo grupo Las Ketchup. Dá uma olhada:

Sobre a letra, algumas teorias apareceram nos últimos anos e uma em especial nos chamou bastante a atenção.

Em 2017 surgiu uma thread de um fã que se dedicou a compreender melhor do que se tratava a música:

“Vou me dar o trabalho de explicar o Aserejé, porque as pessoas acham que não tem sentido, e tem muito sentido”

Apesar da teoria dele ser baseada na versão em espanhol, a música do Rouge segue a mesma ideia. Segundo o fã, o personagem principal da letra – Diego – está em uma festa, como a letra em português também sugere:

Olha lá quem vem virando a esquina
Vem Diego com toda a alegria, festejando
Com a Lua em seus olhos
Roupa de água marinha e seu jeito de malandro

Até então é fácil de acompanhar, né? Aqui, a Lua em seus olhos pode ser uma metáfora fofa para dizer, que ele era um moço apaixonado 😍. Já a teoria desse fã tem outro ponto de vista: essa “Lua” é um eufemismo para indicar que Diego pode estar sob efeito de entorpecentes.

É interessante lembrar também que roupa de água marinha e seu jeito de malandro foi uma adaptação brasileira para uma letra mais pesada: o original é roupa de água marinha e restos de contrabando.

O que não muda entre as duas versões é que Diego chega alegre na festa – e é aqui que temos essa ponte para o refrão:

E com magia e pura alma, ele chega com a dança
Possuído pelo ritmo Ragatanga
E o DJ que já conhece, toca o som da meia-noite
Pra Diego, a canção mais desejada
Ele dança, ele curte, ele canta

Agora a parte principal! O DJ, que já conhece Diego, toca a música que ele mais quer ouvir – talvez sua preferida. Ele dança, ele curte, ele canta! Acontece que essa música era Rapper’s Delight, do Sugarhill Gang, cuja letra é a seguinte:

I said a hip hop the hippie the hippie
To the hip hip hop, a you don’t stop
The rock it to the bang bang boogie
Say up jumped the boogie to the rhythm of the boogie
The beat

Dê o play e escute o refrão:

Mas lembra que Diego não estava sóbrio? O fã concluiu, portanto, que é essa falta de sobriedade que leva nosso protagonista a cantar mais ou menos assim 😲

Aserehe rá de re, de hebe tu de hebere
Seibiunouba mahabi, an de bugui an de buididipi

Outra teoria, parecida, mas não completamente igual, argumenta que Diego só está se divertindo muito – e adora a música -, mas não sabe cantar em inglês! Quem nunca improvisou um canto meio Seibiunouba mahabi, an de bugui para uma letra gringa, não é?

A conclusão que a gente chega é: se Diego entrasse no Letras, teria cantado a música direitinho 😉

A música original e a versão do Rouge

A música original, lançada pelo trio espanhol Las Ketchup, foi chamada de Aserejé (The Ketchup Song), em seu álbum de estreia Hijas Del Tomate (2002). Apesar do sucesso mundial, a canção causou muita controvérsia, porque muitos acreditavam que o refrão, na verdade, era ligado ao satanismo. Agora que explicamos o significado, deu pra ver que a letra tem outra história – mas controvérsia vende!

Capa do álbum Hijas Del Tomate, da banda Las Ketchup
Capa do álbum Hijas Del Tomate, da banda Las Ketchup / Créditos: Divulgação

Não é de hoje que a música latina faz sucesso lá fora, né?? Por isso mesmo foram lançadas versões em outras línguas, como “espanglês” e português, no caso da banda Rouge.

Para a versão brasileira, o produtor Liminha se reuniu com representantes da gravadora Sony, responsável pelo Rouge, buscando músicas para o primeiro álbum do grupo. Da Sony Espanha recebeu a oferta de utilizar Aserejé, que já explodia no mundo. A música quase não entrou no álbum: a lista de faixas estava praticamente terminada quando a oferta apareceu.

No entanto, decidiram usar o hit, com auxílio e produção de Rick Bonadio. Assim, mantiveram o mesmo refrão, sob o argumento do produtor de que “o segredo por trás de uma boa adaptação musical é manter o refrão”. Lançada em 31 de agosto de 2002, inicialmente só no Brasil e em Portugal, Ragatanga tinha tudo para lançar o grupo ao estrelato.

E fez sucesso mesmo: a música bombou tanto que impulsionou as vendas do primeiro álbum do grupo, que já tinha mais de 950 mil cópias vendidas na época do show de estreia do Rouge. Em certo ponto, as rádios estavam tocando Ragatanga até 15 vezes por dia.

Outra curiosidade é que as meninas do Rouge foram responsáveis por acrescentar alguns passos à dança original, ou seja, o nosso “ritmo ragatanga” é realmente diferente das outras versões.

Mas nem só de Ragatanga é feito o Rouge!

Curtiu a história desse sucesso? A gente tem um vídeo que explica essa teoria: manda pra aquele seu amigo que dançava essa música com você lá em 2002!

Fato é que, seja naquela época ou depois do retorno do grupo em 2017, o Rouge é cheio de músicas pop ótimas para cantar e dançar. Um exemplo que adoramos é Brilha La Luna, mais um hit da época antiga. Além disso, tem música romantiquinha também e tudo que a gente gosta em um grupo pop.

Deu saudade? Vem ouvir as mais acessadas do Rouge no Letras! 🙂