Análise do samba-enredo Unidos da Tijuca para 2025

Conheça o significado e a história do samba-enredo da Unidos da Tijuca para 2025, Logun-Edé – Santo Menino Que Velho Respeita.

Analisando letras · Por Rafaela Damasceno

28 de Fevereiro de 2025, às 15:00


O samba-enredo da Unidos da Tijuca para 2025 faz uma homenagem a Logun-Edé e reflete sobre a dualidade entre a harmonia e a bravura. A presença do orixá da mitologia iorubá promete engrandecer ainda mais a festa da escola de samba. 

Logun-Edé – Santo Menino Que Velho Respeita, samba-enredo da Tijuca para 2025
Reprodução / YouTube

Com o título de Logun-Edé – Santo Menino Que Velho Respeita, a Verde e Amarela nos oferece uma oportunidade de aproveitar a folia e ainda conhecer um pouco mais sobre as religiões de matriz africana. E ainda vamos ter a oportunidade de testemunhar a estreia da cantora Anitta como compositora de um samba-enredo.

Saiba mais sobre o samba-enredo da Unidos da Tijuca em 2025 e prepare a sua torcida para a maior festa brasileira. 

Unidos da Tijuca 2025: análise do samba-enredo

A Unidos da Tijuca escolheu, em setembro de 2024, o samba-enredo que a representará na segunda-feira de Carnaval na Sapucaí. A vencedora da disputa foi a composição de Anitta, Estevão Ciavatta, Feyjão, Miguel PG, Fred Camacho e Diego Nicolau

Essa foi a primeira vez que a cantora Anitta compôs um samba-enredo. Para ela, foi uma honra inigualável homenagear o seu orixá e celebrar a religião que sempre lhe fez tão bem

Com o título Logun-Edé – Santo Menino Que Velho Respeita, a escola de samba vai contar a história de Logun-Edé, orixá filho de Oxóssi e Oxum na mitologia iorubá. Ele é o símbolo da essência da juventude e da força das tradições, valores que serão celebrados pela Amarelo e Azul na avenida. 

De acordo com o carnavalesco Edson Pereira, responsável pelo enredo de 2025, Logun-Edé sempre esteve presente na Unidos da Tijuca. As cores da escola de samba, que colorem o pavão amarelo ouro e azul, também são as cores desse orixá de forma proposital

Edson também explica que, além da conexão entre Logun-Edé e a escola de samba, o orixá tem grande importância para a diáspora africana e para as religiões de matriz africana no Brasil e ao redor do mundo. 

Análise das principais estrofes do samba-enredo da Unidos da Tijuca 2025

Lógun-Edé é símbolo de força, juventude, esperança e renovação. Ele é filho de Oxum, deusa da fertilidade, representada pela água doce, e Oxóssi, o grande guerreiro caçador de elefantes. Dessa união, nasceu um orixá menino, que traz a força da natureza e a leveza da infância

Nos primeiros versos, o samba-enredo da Unidos da Tijuca em 2025 começa com a saudação a Logun-Edé, loci loci Lógun arô, que significa “príncipe guerreiro”. 

Assim, a Juventude do Borel desce o morro para a Marquês de Sapucaí para celebrar Logun-Edé. Esse é o nome como é carinhosamente chamada a Unidos da Tijuca, que tem origem na favela do Borel, no Rio de Janeiro. 

Lógun Edé, Lógun arô

Lógun Edé, loci loci Lógun arô

A juventude do Borel

Desce o morro pra cantar em seu louvor

Nas águas de Oxum e no encanto do caçador

Reflete o espelho, Orisun

Nas águas de Oxum

À luz de Orunmilá

Magia que desaguou na ribeira

E fez o Caçador se encantar

Sou eu, sou eu

Príncipe nascido desse grande amor

Herdeiro da bravura e da beleza

É da minha natureza

A dualidade e o fulgor

Além de Logun-Edé, outros orixás da mitologia iorubá aparecem no samba-enredo. É o caso de Orunmilá, divindade conhecida como o orixá da sabedoria, da profecia e da adivinhação. 

Nesse trecho, também percebemos as referências aos pais de Logun-Edé, que nasceu das águas de Oxum e do Caçador de elefantes. Desse amor, nasceu um príncipe orixá. 

De tudo que aprendi

O todo que reuni

Fez imbatível a força do meu axé

Com brilho imenso, desafio o consenso

Inquieto e intenso

Sou Lógun Edé

A letra do samba-enredo da Unidos da Tijuca em 2025 ressalta, em todos os versos, a força imbatível de Logun-Edé e a dualidade de sua personalidade, que oscila entre a bravura e a beleza. 

Proteção de Iemanjá e homenagem a Kale Bokum

Oakofaê, Odoyá

Oakofaê, desbravei o mar

Não ando sozinho, montei no cavalo-marinho

Abri caminho pro povo de Ijexá

Oakofaê, Odoyá

Oakofaê, desbravei o mar

Não ando sozinho, montei no cavalo-marinho

Abri caminho pro povo de Ijexá

E no rufar dos Ilus, meu tambor

A fé no Kale Bokum assentou

A proteção dos meus pais, ofás e abebés

Sou a Tijuca e seus candomblés

Um lindo leque se abriu, orí do meu pavilhão

Amarelo-ouro e azul pavão

O verso Oakofaê, Odoyá é uma saudação a Iemanjá e significa “a mãe das águas”. Com a proteção desse orixá, os sambistas da Unidos da Tijuca montam em seus cavalos-marinhos e conseguem desbravar o mar. 

Há também uma referência ao Terreiro Ilê Axé Kalé Bokum, um templo de candomblé fundado em 1933 e localizado na cidade de Salvador, Bahia. 

Os instrumentos sagrados das religiões da matriz africana, como o tambor, os ofás e os abebés, também aparecem, trazendo proteção e alegria à festa do Carnaval. 

Orixá menino que velho respeita

Orixá menino que velho respeita

Recebi sentença de pai Oxalá

Eu não descanso depois da missão cumprida

A minha sina é recomeçar

Outro verso do samba-enredo da Unidos da Tijuca em 2025 reforça uma verdade muito importante sobre Logun-Edé: ele é o orixá menino que velho respeita. Essa afirmação está, inclusive, no título da música. 

Essa é mais uma maneira de evocar a força e a sabedoria do orixá, que oferece proteção à escola de samba há muitos anos e agora recebe a sua merecida homenagem em forma de enredo e canção. 

Descubra a origem dos sambas-enredo e viaje pela história do Carnaval no Brasil

Se você gostou da nossa análise do samba-enredo da Unidos da Tijuca de 2025, com certeza vai curtir o conteúdo que preparamos sobre a origem dos sambas-enredo

Aproveite para aprofundar os seus conhecimentos sobre o Carnaval no Brasil, essa festa linda, que é parte tão essencial da nossa cultura popular. 

Como surgiram os sambas-enredo

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