
Comeram A Fruta
Bonga
“Comeram A Fruta” na fronteira entre festa e crítica
Por baixo do refrão grudento, Bonga arma um duplo jogo: festa e crítica. A imagem de “subiram no pau” e “comeram com casca” funciona ao mesmo tempo como malícia sexual (pau em duplo sentido) e como retrato de consumo voraz que usa e descarta, reforçada por “o caroço dela ficou no chão” e “o balaio dela ficou no chão”. Mesmo sem registro de contexto específico desta canção, essa leitura combina com a trajetória de Bonga no semba, em que a leveza rítmica abriga comentários sociais: quem “come” aproveita tudo e deixa o resto — seja a mulher objetificada, sejam recursos da terra e do mercado esvaziados após a pilhagem.
A narrativa é direta: gente sobe na árvore, devora a fruta inteira e abandona caroço e balaio. A lista “manga, caju, tambarino (tamarindo), yarassá, mabope, maçã da Índia” coloca a canção na feira angolana, exuberante e desejosa, “frutas de vontade”. As frases “techila nizala/zalaya” (canto bantu de roda; sem tradução literal) e o coro “aiaiaiaiai” (vocalização tradicional) evocam ancestralidade e o clima de trabalho e dança; “fica Zé na cola Zé” chama para colar no passo, reforçando a tensão entre brincadeira e sedução. A repetição de “comeram a fruta” e a cadência do semba criam um transe dançante que fica na memória e, ao mesmo tempo, martela a ideia do uso e do resto. Sobra um misto de alegria safada e ironia: riso de festa com recado de esperteza e crítica embutidos no balanço.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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