
Paisagem Útil
Caetano Veloso
Reflexão urbana e crítica social em “Paisagem Útil”
Em “Paisagem Útil”, Caetano Veloso propõe uma reflexão sobre a transformação do espaço urbano, partindo de uma inversão do título do clássico “Inútil Paisagem”, de Tom Jobim. Ao focar no Aterro do Flamengo, uma área artificial do Rio de Janeiro, Caetano contrapõe elementos naturais, como o céu e o mar, a estruturas urbanas, como “mastros firmes e lentos” e o “frio palmeiral de cimento”. Essa justaposição destaca a artificialidade e a funcionalidade impostas à paisagem, sugerindo uma crítica à modernização que substitui o natural pelo construído, tornando a paisagem “útil” para a cidade, mas menos espontânea e poética.
A letra também faz uma crítica sutil à presença das corporações e da publicidade no cotidiano, especialmente ao mencionar a “lua oval da Esso” – referência ao letreiro luminoso da empresa petrolífera, símbolo visual do Rio de Janeiro nos anos 1960. Essa “lua” artificial ilumina cenas de romance entre “pobres tristes felizes”, mostrando que até os momentos mais íntimos são atravessados pela influência do capital e da modernidade. O tom contemplativo da canção, reforçado pelo ritmo de marcha-rancho e pela homenagem vocal a Orlando Silva, mistura nostalgia e ironia ao observar a vida urbana e questionar o que resta de poesia em meio à paisagem utilitária da cidade.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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