
O Nome da Cidade
Caetano Veloso
Deslocamento e identidade em “O Nome da Cidade” de Caetano Veloso
Em “O Nome da Cidade”, Caetano Veloso explora o contraste entre o universo rural nordestino e a modernidade urbana do Rio de Janeiro, inspirado pelo romance “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. Logo no início, a justaposição entre “boi” e “bus” destaca o choque cultural vivido pela protagonista, que deixa o sertão para enfrentar a cidade grande. O verso “Cheguei ao nome da cidade / Não à cidade mesma, espessa” reforça a sensação de que a cidade, para a migrante, é algo distante e abstrato, mais um conceito do que uma experiência real, refletindo a alienação de Macabéa no livro de Clarice.
A música também revela a ambiguidade diante dos símbolos cariocas, como em “O Redentor, que horror! Que lindo!”, onde o Cristo Redentor é visto com fascínio e desconforto ao mesmo tempo. Trechos como “Ruas voando sobre ruas / Letras demais, tudo mentindo” expressam a confusão e o excesso de estímulos da vida urbana, onde a promessa de oportunidades se mistura ao risco do anonimato. O refrão “Ôôôôôôô ê boi! ê bus!” funciona como um mantra que marca a transição entre o passado sertanejo e o presente urbano, enquanto “Sertão, sertão! ê mar!” evidencia a saudade e a busca por pertencimento. Assim, Caetano mostra que, mesmo diante do mar e da cidade, o sertão permanece como referência afetiva e identitária para quem migra.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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