exibições de letras 12.542

História e Glória (O Nascimento)

Caju & Castanha

LetraSignificado

    Espere que eu vou contar
    Espere que eu vou contar
    Um pouco da minha vida
    Como foi minha subida
    Pra no sucesso chegar

    Espere que eu vou contar
    Espere que eu vou contar
    Como foi minha subida
    E um pouco da minha vida
    E pra no sucesso chegar

    Espere que eu vou contar

    Eu vou contar meu nascimento
    Com todo meu sofrimento
    A de quando eu nasci pra cá

    Espere que eu vou contar

    Ô, quando foi pra eu nascer
    Houve um eclipse da Lua
    Caiu um taco da rua
    Um cachorro pegou o rabo

    Espere que eu vou contar

    Uma gata deu uma moléstia
    Uma muda quebrou a testa
    Num bule de butá chá

    Espere que eu vou contar

    E meu pai furou-se num prego
    A minha irmã fugiu com um cego
    E meu tio deu pra roubar

    Espere que eu vou contar

    E o nome da minha mãe
    Era Amélia da Conceição
    E papai tomava um pifame
    Dos dois olhos atravessar

    Espere que eu vou contar

    E o nome do meu pai
    José Francisco Cardoso
    Era o velho mais mentiroso
    A que o Brasil pode criar

    Espere que eu vou contar

    O nome da minha vó
    Cecília Brito Ferreira
    Era a velha mais fuazeira
    Do forró de Jiquiá

    Espere que eu vou contar

    Até que chegou um dia
    Papai foi dançar um samba
    Na casa de Zé Muamba
    Lá na Rua do Ingá

    Espere que eu vou contar

    Papai dançando com mamãe
    Os dois já tava chumbado
    E dava cada umbigada
    Do peneira levantar

    Espere que eu vou contar

    Aí me deram um repuxo
    E eu gritei dentro do bucho
    Ô, isso é samba ou um azar?

    Espere que eu vou contar

    Quando foi com poucos dias
    Mamãe começou sofrer
    Aí disse pra papai
    Ô, negrinho, pode ver
    Uma parteira pra mim
    Que o "garotin" quer nascer

    Espere que eu vou contar

    Meu pai saiu na carreira
    E doido desimbestado
    Era poeira cobrindo
    Tinha um velho abestalhado
    E ele chegou numa venda
    Ficou bebendo fiado

    Espere que eu vou contar

    Ele chegou numa venda
    Pediu uma cana fria
    Encontrou-se com um compadre
    Muitos anos que não via
    Encheu a cara de cana
    E veio chegar com 15 dias

    Espere que eu vou contar

    E quando a parteira chegou
    Aí eu tinha nascido
    A parteira de pileque
    E papai quase caindo
    Ela chegou de caçola
    Que a saia tinha perdido

    Espere que eu vou contar

    Quando a parteira chegou
    Era somente sorrindo
    Com um cachimbo na boca
    De vez em quando cuspindo
    E era arrudiando a cama
    E o fumaceiro cobrindo

    Espere que eu vou contar

    E eu nasci mais no perigo
    E pra contar o meu umbigo
    Não tinha com que cortar

    Espere que eu vou contar

    E tinha uma foice velha
    Num monturo abandonada
    Tava toda enferrujada
    E relou pra lá e pra cá

    Espere que eu vou contar

    Quando cortaram o meu umbigo
    E depois jogaram fora
    Um urubu passou na hora
    Botou no bico e dê cá

    Espere que eu vou contar

    O urubu saiu voando
    E o carcará farejando
    Aperreando até tomar

    Espere que eu vou contar

    Minha mãe saiu de casa
    Sem ter rumo e paradeiro
    Com muito pouco dinheiro
    E com seis filhos pra criar

    Espere que eu vou contar

    Chegando em Jaboatão
    Quando acabou o dinheiro
    Meu irmão fez dois pandeiros
    De lata pra nós tocar

    Espere que eu vou contar

    Quando chegamos na praça
    No centro de Jaboatão
    Com dois pandeiro na mão
    O povo pegou a juntar

    Espere que eu vou contar

    Foi quando o prefeito chegou
    Disse: Que coisa estranha!
    Um tem cara de caju
    E o outro cara de castanha

    Espere que eu vou contar

    Partimos para o Recife
    No Mercado São José
    O povo ficava de pé
    Pra ver a gente cantar

    Espere que eu vou contar

    Fazia aquela rodada
    Era aquela alegria
    E quando ia cobrar
    O povo todo corria

    Espere que eu vou contar

    Viemos para São Paulo
    Com uma mão na frente
    E outra atrás
    Que quando a gente chegou
    Ficamos preso no Brás

    Espere que eu vou contar

    Mas um dia em São Paulo
    Tava frio, tava vento
    E a gente, dois matutos
    Parecendo dois jumentos
    E a polícia perguntou
    Cadê logo os documentos?

    Espere que eu vou contar

    E começou o sofrimento
    Comigo e com meu irmão
    E a gente foi morar
    Debaixo do minhocão

    Espere que eu vou contar

    Mas Jesus, que é verdadeiro
    E o seu nome é honrado
    E o Caju gravou na cama
    Para morrer consagrado

    Espere que eu vou contar
    Espere que eu vou contar
    Um pouco da minha vida
    Como foi minha subida
    Pra no sucesso chegar

    Espere que eu vou contar
    Espere que eu vou contar
    Um pouco da minha vida
    Como foi minha subida
    Pra no sucesso chegar

    Espere que eu vou contar
    Espere que eu vou contar
    Um pouco da minha vida
    Como foi minha subida
    Pra no sucesso chegar

    Espere que eu vou contar
    Espere que eu vou contar
    Um pouco da minha vida
    Como foi minha subida
    Pra no sucesso chegar

    Espere que eu vou contar
    Espere que eu vou contar
    Um pouco da minha vida
    Como foi minha subida
    Pra no sucesso chegar

    Espere que eu vou contar
    Espere que eu vou contar
    Um pouco da minha vida
    Como foi minha subida
    Pra no sucesso chegar


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Caju & Castanha e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção