
Symposium Of Sickness
Carcass
Crítica social e autópsia artística em “Symposium Of Sickness”
“Symposium Of Sickness”, do Carcass, começa com um sample do cineasta H.G. Lewis, conhecido por seus filmes gore, o que já indica o tom provocativo da música. O trecho inicial, em que Lewis ironiza a ideia de ser um corruptor da moral, serve como ponto de partida para a crítica da banda à sociedade que consome o mórbido e o grotesco, mas ao mesmo tempo condena a arte extrema. A letra aborda a morte e a decadência como temas inevitáveis e banais em um mundo que transforma tudo em mercadoria, inclusive o sofrimento: “Another valueless commodity / On which the paracious may feebly graze” (Outra mercadoria sem valor / Da qual os gananciosos podem se alimentar de forma fraca). Aqui, o Carcass denuncia a desumanização e o consumo superficial até mesmo da dor e da morte.
A música utiliza metáforas que comparam a criação artística à dissecação de cadáveres, como em “Chiselling out seething words / Which cut deep down to the bone” (Esculpindo palavras ferventes / Que cortam até o osso) e “Carving out skilful words / Which shear brittle bones” (Entalhando palavras habilidosas / Que cortam ossos frágeis). Isso sugere que o Carcass enxerga sua arte como uma autópsia da sociedade, revelando o que há de mais podre sob a superfície. Termos como “epigraphic text” e “corporeal epigraphs” reforçam a ideia de que suas letras funcionam como epitáfios literários, registrando uma realidade doentia. Versos como “Digging our own graves / But never stand over and mourn” (Cavando nossas próprias covas / Mas nunca paramos para lamentar) mostram um tom autocrítico, reconhecendo que a banda explora o macabro tanto para provocar quanto para se definir artisticamente.
O refrão, com frases como “Execrations, taunting spiritual release / Exoneration, upon the perishable we feast” (Pragas, provocando libertação espiritual / Absolvição, nos banqueteamos com o perecível), aponta para um ciclo de provocação, libertação e consumo do que é transitório, seja a morte ou as convenções sociais. Ao se autodenominar “exercisers of twisted grief” (praticantes do luto distorcido) e “exorcizers of scorching scorn” (exorcistas do desprezo ardente), o Carcass assume o papel de desafiar tabus e questionar a hipocrisia moral, ao mesmo tempo em que reconhece o fascínio e a repulsa que sua arte desperta. Assim, “Symposium Of Sickness” se apresenta como um manifesto sobre o papel do horror e do grotesco na arte, usando a linguagem da morte para criticar uma sociedade que tenta reprimir esses temas.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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