FILHAS DO TEMPO
Carlos Criativo
No princípio, quando o mundo ainda aprendia a respirar
Ela já estava lá
Silenciosa, mas essencial
Do pó, nasceu vida
E no ventre, o futuro começou
Chamaram de frágil, mas carregava gerações
Silenciaram sua voz, mas não seus corações
Entre sombras e correntes invisíveis
Ela ergueu impérios, sem ser vista nos níveis
Negaram-lhe escrita, negaram-lhe o saber
Mas ensinaram o mundo, mesmo sem aparecer
Entre guerras, dores, perdas e chão
Foi ela quem manteve a vida em construção
E quando o mundo disse: Não
Ela respondeu, existindo
Ergam-se, as filhas do tempo
Das cinzas, do silêncio, do sofrimento
Nenhuma história foi em vão
Elas são a raiz da criação
Ergam-se, vozes que resistem
Mesmo quando tudo insiste
Em negar seu lugar
Elas nasceram, pra transformar
Das ruas ecoaram passos que mudaram nações
Mãos que votaram, quebrando prisões
Mentes que ousaram ir além do que viam
E provaram ao mundo o que já sabiam
Entre ciência, luta e educação
Mudaram o rumo de toda geração
Não pediram espaço, conquistaram chão
E escreveram história com determinação
E hoje, ainda carregam o peso do mundo
Entre sonhos, filhos e um tempo profundo
Mas não quebram, não param, não vão recuar
Porque aprenderam, a se levantar
Não são apenas parte, são o começo
Não são apenas força, são o processo
De tudo que vive, de tudo que há
O mundo não segue
Sem elas, pra guiar



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