A fragilidade do amor verbalizado em “Quero” de Carlos Drummond de Andrade
Em “Quero”, Carlos Drummond de Andrade explora a necessidade intensa de reafirmação do amor por meio da palavra. A repetição insistente de “Eu te amo” revela uma vulnerabilidade profunda e uma dependência emocional da declaração verbal como garantia do afeto. O desejo de ouvir essa frase “de meia em meia hora, de 5 em 5 minutos” expõe uma ansiedade constante: para o eu lírico, o amor só existe enquanto é dito, e o silêncio se torna uma ameaça de abandono. Isso fica claro nos versos “No momento anterior e no seguinte, como sabê-lo?”, que expressam a insegurança diante da ausência de confirmação.
Drummond utiliza a palavra como símbolo do próprio sentimento, sugerindo que o amor só se concretiza plenamente quando é verbalizado: “Quero ser amado por e em tua palavra / nem sei de outra maneira a não ser esta”. O poeta destaca a importância da comunicação explícita nas relações, mostrando que o não-dito pode ser interpretado como negação do sentimento: “ao não dizer: Eu te amo, desmentes, apagas teu amor por mim”. O tom direto e íntimo do poema reforça a ideia de que o amor, para o eu lírico, é frágil e depende do “perene comunicado” para existir. O final, ao afirmar que a ausência da declaração leva ao “caos, essa coleção de objetos de não-amor”, resume a centralidade da palavra como sustentação do vínculo afetivo e a angústia provocada pelo silêncio.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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