Solidão e crise existencial em “José” de Carlos Drummond
Em “José”, Carlos Drummond de Andrade utiliza a repetição da pergunta “E agora, José?” para expressar o desamparo do personagem e, ao mesmo tempo, abordar uma crise existencial que vai além do individual. Escrito durante a Segunda Guerra Mundial, o poema reflete o clima de incerteza e colapso daquela época. A sequência de perdas e impossibilidades, como em “A festa acabou / A luz apagou / O povo sumiu / A noite esfriou”, reforça a solidão e o isolamento do indivíduo moderno, temas centrais na obra de Drummond, especialmente em sua fase mais politizada.
O nome “José” representa o homem comum, anônimo e perdido diante do vazio da vida urbana, sem apoio ou perspectivas. Drummond usa uma ironia amarga ao listar tudo o que falta ao personagem – “Está sem mulher / Está sem discurso / Está sem carinho” – e mostra que nem mesmo pequenas fugas, como beber ou fumar, servem de consolo. O verso “Com a chave na mão / Quer abrir a porta / Não existe porta” resume a impotência diante de um mundo sem respostas. Até mesmo o desejo de fuga ou de morte é frustrado: “Quer morrer no mar / Mas o mar secou / Quer ir para Minas / Minas não há mais”. No final, José está “sozinho no escuro / qual bicho-do-mato”, sem mitos, raízes ou direção, o que traduz a angústia existencial e a busca por sentido em meio ao caos, tornando o poema um retrato atemporal da condição humana diante do absurdo.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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