
Maria Moita
Carlos Lyra
Crítica social e resistência em "Maria Moita" de Carlos Lyra
"Maria Moita", de Carlos Lyra, faz uma crítica direta à exploração feminina e à desigualdade social no Brasil dos anos 1960. Logo no início, o verso “Nasci lá na Bahia / De mucama com feitor” revela a origem da personagem, filha de uma mulher negra submissa (mucama) e de um homem branco em posição de poder (feitor). Essa referência evidencia o peso histórico da escravidão e da hierarquia racial, reforçado pela diferença entre o pai, que dorme em cama, e a mãe, que dorme no chão, mostrando a brutalidade da divisão de privilégios e a desumanização da mulher negra.
A letra usa ironia e repetição para destacar a sobrecarga feminina. O trecho “Deus fez primeiro o homem / A mulher nasceu depois / E é por isso que a mulher / Trabalha sempre pelos dois” expõe, de forma crítica, o machismo estrutural e a lógica que perpetua a submissão da mulher, principalmente das mais pobres. O refrão, ao pedir ao Babalorixá para “pôr pra trabalhar gente que nunca trabalhou”, critica a elite ociosa, que desconhece o peso do trabalho enfrentado pelos pobres e pelas mulheres. Ao mencionar Xangô, orixá da justiça, a música expressa o desejo de reparação social, conectando a religiosidade afro-brasileira à luta por igualdade. Assim, "Maria Moita" vai além do retrato individual e se transforma em um manifesto contra as injustiças de gênero, classe e raça.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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