
Amélia dos Olhos Doces
Carlos Mendes
Solidão e resistência em “Amélia dos Olhos Doces” de Carlos Mendes
“Amélia dos Olhos Doces”, de Carlos Mendes, retrata com sensibilidade a vida de uma mulher marginalizada, inspirada em uma prostituta real observada pelo poeta Joaquim Pessoa nas ruas de Lisboa. Lançada em 1977, a música destaca o contexto social da época, em que muitas mulheres viviam à margem da sociedade, sem acesso a uma vida digna. O verso “quem é que te trouxe grávida de esperança?” aponta para os sonhos e expectativas frustradas de Amélia, enquanto a repetição de “os homens que dormem contigo na cama” evidencia a dissociação entre o ato físico e o afeto, ressaltando a solidão e a falta de escolha em sua rotina.
As imagens presentes na letra, como “cabelos cor-de-viúva”, “cabelos de chuva” e “sapatos de tiras”, criam um retrato visual de tristeza, desgaste e feminilidade. A menção ao “Cais do Sodré” e ao “bairro da lata” situa Amélia em locais de Lisboa conhecidos pela boemia e exclusão social. O trecho “teu corpo é um rio onde a sede corre” usa a metáfora do rio para mostrar tanto o desejo dos outros quanto o fluxo inevitável da vida de Amélia. Já “o amor nascia onde Amélia morre” sugere que, mesmo em meio à dor e marginalização, ainda há espaço para humanidade e ternura. A canção, assim, denuncia a realidade difícil dessas mulheres, mas também lhes confere dignidade e empatia, transformando Amélia em símbolo de resistência e esperança.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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