
Calçada de Carriche
Carlos Mendes
Desigualdade e resistência em “Calçada de Carriche”
Em “Calçada de Carriche”, Carlos Mendes interpreta um poema de António Gedeão que retrata a dura rotina de Luísa, uma mulher trabalhadora da Lisboa dos anos 1950. O verso repetido “sobe que sobe, sobe a calçada” destaca não só o esforço físico de subir a ladeira, mas também simboliza as dificuldades diárias enfrentadas por mulheres da classe operária naquele período. A calçada íngreme funciona como uma metáfora clara para os obstáculos sociais, econômicos e pessoais que Luísa e tantas outras mulheres viviam.
A letra descreve de forma direta o ciclo exaustivo da protagonista: ela sai de casa de madrugada, trabalha o dia inteiro e retorna à noite, acumulando tarefas domésticas e profissionais sem descanso. Detalhes como “na mão grosseira, de pele queimada, leva a lancheira desengonçada” e “pegou na filha, deu-lhe a mamada; bebeu a sopa numa golada; lavou a loiça, varreu a escada” evidenciam a sobrecarga e a invisibilidade do trabalho feminino. O trecho “serviu-se dela, não deu por nada” aborda a falta de autonomia e o apagamento dos desejos de Luísa, inclusive na vida íntima, ampliando a crítica social do poema. Ao musicar o texto, Carlos Mendes e José Niza tornam essa denúncia ainda mais acessível e emocional para o público, reforçando a importância do tema.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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