Cinderela

Carlos Paião

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Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira, sempre sem falar
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé
Ele lá lhe disse, a medo: O meu nome é Pedro e o teu qual é?
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: Sou a Cinderela
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela

Então
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor
Crescer
Vai dar tempo p'ra aprender
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor

Cinderela das histórias, a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério
Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou
Com a cara assim molhada, ninguém deu por nada, ele até chorou

Então
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor
Crescer
Vai dar tempo p'ra aprender
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos
E, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si
Ele pegou na mão dela: Sabes Cinderela, eu gosto de ti

Então
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor
Crescer
Vai dar tempo p'ra aprender
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor

Cinderela

Então
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor
Crescer
Vai dar tempo p'ra aprender
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor

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