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Orgia

Cartola

Reflexão sobre perdas e despedidas em “Orgia” de Cartola

Em “Orgia”, Cartola utiliza a palavra do título não para sugerir excessos sexuais, mas como uma metáfora para festas intensas e momentos de alegria compartilhada. No entanto, a canção apresenta um distanciamento desse universo festivo, marcado por sofrimento e ressentimento. O verso “Orgia, hoje és minha inimiga / Os sofrimentos me obrigam / A me afastar de você” expressa claramente essa ruptura: o personagem, abalado por dores pessoais, não consegue mais se entregar à celebração e à boemia.

O tom de despedida se aprofunda quando Cartola se despede do “violão, amigo leal”, símbolo de sua relação com a música e o samba. Ao dizer “estes versos que eu fiz / Devem ser / A rima final”, ele sugere o fim de uma fase importante de sua vida, talvez até de sua ligação com a arte. O contexto histórico reforça esse sentimento: lançada em seu álbum de estreia já em idade avançada, a música reflete uma avaliação existencial, onde a alegria das festas cede espaço à reflexão sobre perdas e despedidas. Assim, “Orgia” transforma a celebração em memória e a festa em saudade, mostrando o amadurecimento e a melancolia de Cartola diante do tempo.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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