
Homossexual
Os Cascavelletes
“Homossexual”: ciúme, posse e tolerância condicional
O refrão “Homossexual” funciona menos como rótulo e mais como provocação ao orgulho ferido do narrador. A canção expõe, com humor ácido, a hipocrisia machista: ele se diz tolerante, até que o desejo esbarra no fato de ela amar outra mulher. A história é direta: ele transa com uma garota “com fama de promíscua” num “motelzinho tipo pensão” e, de manhã, ouve que ela está apaixonada por outra; daí vem o “azar o meu”, que junta surpresa e desilusão. Quando a vê “de vestido branco quase nua”, o par náuseas/tesão revela o curto-circuito entre ciúme e desejo. E o trecho “Eu podia transar com as duas / Mas acho que eu caí no amor” ironiza a fantasia masculina moderninha: ele posa de liberal, mas o que o move é posse e frustração; ela afirma autonomia e impõe limites ao dizer “cai fora / não estraga o meu romance”.
Lançada em 1991 como lado A de um single que também trazia “Sob um Céu de Blues”, “Homossexual” condensa a marca d’Os Cascavelletes: rock direto e letras provocativas que enfrentam tabus com humor e ironia. A tensão central é a sexualidade como fronteira de poder — o desejo dele tromba com o romance entre duas mulheres, e a repetição do título no refrão vira lembrança do limite que ele não aceita. O rótulo “promíscua” expõe boatos e expectativas masculinas; quem escolhe é ela. Assim, a faixa não zomba da homossexualidade, mas do ciúme e da tolerância condicional do narrador, afinada com o espírito debochado da banda gaúcha de desafiar convenções sem pedir licença.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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