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Querência

César Oliveira

Letra

    De fronte ao galpão grande
    um cerne de curunilha
    palanqueador de tropilhas
    cravado num chão sulino
    sob a luz de um céu divino
    o campo que não se entrega
    a pata e peito de égua
    vai ressabiando o destino

    A várzea se estende longe
    vista do fundo das casas
    e um campeiro cria asas
    repassando a bagualada
    quem tem olhos de invernada
    e ânsias de crioulo no peito
    faz o que deve ser feito
    e o resto ajeita na estrada

    A fibra desta querência
    vem das lidas campo à fora
    trazendo pátria na espora
    e no cantar do fronteiriço
    mesca de ciência e feitiço
    timbrada a berro de gado
    e a bufo de mal-costeado
    que se amansou no serviço

    [Declamação]

    De dia… Sol e nuances
    De noite… romances e lua
    Nesta querência xirua
    cada vez mais entonada
    Aparte, tombos, bolcadas
    pealos, rodeios, carreiras
    e um sotaque de fronteira
    Pa hablar de una jineteada

    Um paraíso é quem ronda,
    De copa mansa e serena.
    a velha estância torena
    enchendo o pealo de flores
    e pra entreter dissabores
    fumo bueno e figuerilha

    Rincão de gente gaúcha
    vida, terra e liberdade
    quem se vai, sente saudade
    quem volta bendiz a Deus
    o mundo é feito de adeus
    de apeie e chegue pra diente…
    quem busca um sonho distante
    acha bem perto dos seus.

    Composição: Anomar Danubio Vieira / Rogério Melo. Essa informação está errada? Nos avise.

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