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De Noite No Galpão

César Oliveira

Letra

    O pai de fogo do universo se bolqueia
    A noite chega arrastando as nazarenas
    Traz tropilhas de estrelas no cabresto
    E uma brisa sopra morna e serena
    Noite clara que até parece um dia
    Pra uma caçada não há Lua mais buena

    Recorro os campos da memória num segundo
    Pra colher versos, que a safra não é pouca
    O fogo grande em labaredas se consome
    Pego a guitarra e a voz já meio rouca
    Vai recitando velhos poemas campeiros
    Que um a um, saltam da alma para boca

    Embuçalo a xucreza do velho Jayme
    Pra mesclar com o telurismo que há aqui
    Na poesia universal do Silva Rillo
    Vou passar a vida cevando um mate por ti
    E no canto claro do guri campeiro
    Milongueio Aureliano e Noel Guarany

    Um trago largo vai dando mais inspiração
    Pra o payador que canta o pago na essência
    Busco na lida as razões pra um verso xucro
    Que traz nas rimas todo o encanto da existência
    Velho mistério que o gaúcho tem consigo
    Este amor grande pela campeira querência

    Vem de guri a mania de cantar versos
    De andar disperso, payando o meu pago
    Na boca da noite, na quietude do galpão
    Mais vale a ilusão no canto que eu trago
    Do que a verdade crua que se vê nas ruas
    Que deixa esse nosso mundo mais amargo

    Composição: CESAR OLIVEIRA / ROBERTO HUERTA. Essa informação está errada? Nos avise.

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