
Nieves de Enero
Chalino Sánchez
Promessa quebrada, tempo e orgulho em “Nieves de Enero”
O pacto de ir “a ver a la virgen” (ver a Virgem) não é um passeio devocional; funciona como voto de casal, e quebrá-lo dá à história o peso de uma promessa sagrada traída. Na voz de Chalino Sánchez — que adaptou ao corrido uma canção de 1952, escrita por Mario Molina Montes — essa quebra vira ferida de orgulho e de uma masculinidade que se segura no silêncio, sem admitir o choro.
A narrativa é direta: ele espera a mudança combinada para “las nieves de enero” (as neves de janeiro), vê chegarem “las flores de mayo” (as flores de maio), depois outro inverno, e nada. As estações expõem a passagem do tempo e o esvaziamento da esperança. Quando repete “me he aguantado a lo macho / y mi amargo dolor me lo callo” (me segurei como macho / e engulo minha amarga dor), a bravata já racha. O desfecho assume a verdade incômoda: “No soporto ya más tus mentiras / no pienso morirme esperando” (não aguento mais suas mentiras / não pretendo morrer esperando). O timbre e a persona de Chalino — moldados por uma vida de violência e resistência — intensificam essa contenção orgulhosa, o que ajuda a explicar por que a música, anterior a ele, virou um de seus emblemas e segue atravessando fronteiras, ressurgindo até em versões virais em russo.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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