
Ode Aos Ratos
Chico Buarque
Crítica social e ironia urbana em “Ode Aos Ratos” de Chico Buarque
Em “Ode Aos Ratos”, Chico Buarque e Edu Lobo transformam o rato, normalmente visto como símbolo de sujeira e marginalidade, em uma metáfora para os excluídos e sobreviventes das grandes cidades. Ao chamar o rato de “saqueador da metrópole” e “tenaz roedor de toda esperança”, os autores denunciam a degradação urbana e ironizam a hipocrisia social. O rato circula por todos os ambientes, do “parking ao living”, do “shopping center ao léu”, mostrando que a presença dos marginalizados é inevitável, até mesmo nos espaços mais elitizados da cidade.
O tom irônico se intensifica no final, quando o rato é chamado de “meu semelhante, filho de Deus, meu irmão”, aproximando o animal do próprio ser humano, especialmente daqueles que vivem à margem e sobrevivem “à chacina e à lei do cão”. Expressões como “lúbrico, libidinoso transeunte” e a sequência “rato que rói a roupa, que rói a rapa do rei do morro...” reforçam o caráter caótico e voraz do rato, além de brincar com a sonoridade e os múltiplos sentidos das palavras. O trecho “ruma rua arriba em sua rota de rato” sugere um ciclo interminável de exclusão, enquanto “roto que ri do roto” ironiza a competição entre os próprios marginalizados. O contexto do musical “Cambaio” e a consulta bem-humorada a Paulo Vanzolini mostram a liberdade criativa de Chico Buarque ao construir uma crítica social afiada, usando o rato como espelho das contradições urbanas.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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