
Deus Lhe Pague
Chico Buarque
Ironia e crítica à ditadura em “Deus Lhe Pague” de Chico Buarque
Em “Deus Lhe Pague”, Chico Buarque utiliza a expressão tradicionalmente usada como agradecimento para expor, de forma irônica, a resignação forçada diante das imposições da ditadura militar. O uso repetido de “Deus lhe pague” transforma direitos básicos, como “esse pão pra comer, esse chão pra dormir”, em favores concedidos pelo regime, deixando claro o sarcasmo ao agradecer por aquilo que deveria ser garantido a todos. A música foi alvo de censura justamente por essa duplicidade de sentido, mostrando como Chico criticava a repressão e a falta de liberdade de maneira sutil, mas incisiva.
A letra retrata a sobrevivência cotidiana marcada por pequenas concessões e distrações, como “a piada no bar”, “o futebol pra aplaudir” e “um samba pra distrair”, que funcionam como formas de escape diante da opressão. Ao mesmo tempo, versos como “a cachaça de graça que a gente tem que engolir” e “a fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir” evidenciam problemas sociais e condições precárias, apresentados de forma irônica como se fossem benefícios. O verso final, “pela paz derradeira que enfim vai nos redimir”, sugere que apenas a morte traria alívio, reforçando o tom crítico e desesperançado. Assim, “Deus Lhe Pague” se destaca como um retrato amargo e inteligente da alienação, repressão e sobrevivência sob a ditadura, usando o duplo sentido para driblar a censura e ampliar sua denúncia social.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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