
Bárbara
Chico Buarque
Desejo e resistência em "Bárbara" de Chico Buarque
"Bárbara", de Chico Buarque, é uma música que se destaca por retratar o amor entre duas mulheres em um período de forte repressão e censura no Brasil, especialmente durante a ditadura militar. A canção faz parte da peça "Calabar: o Elogio da Traição" e traz à tona o relacionamento entre Bárbara e Anna de Amsterdã. O verso “sabendo que no fim da noite serei tua” deixa claro o desejo e a entrega entre as personagens, algo considerado ousado para a época e que chegou a ser censurado, com trechos abafados ou cortados nas gravações oficiais.
A escolha da valsa como ritmo, tradicionalmente ligada à elegância burguesa, cria um contraste interessante com o tema transgressor da música, dando à canção um tom ao mesmo tempo clássico e subversivo. A letra explora o cuidado e a cumplicidade entre as personagens, como em “deixa eu te proteger do mal, dos medos e da chuva”, misturando proteção e erotismo. Metáforas como “mergulhar no poço escuro de nós duas” sugerem tanto a profundidade do vínculo quanto a exploração de territórios íntimos e proibidos. O refrão “nunca é tarde, nunca é demais” reforça a urgência e a legitimidade desse amor, enquanto “vamos viver agonizando uma paixão vadia, maravilhosa e transbordante, feito uma hemorragia” expressa a intensidade e o caráter marginalizado da relação. Assim, "Bárbara" se tornou um símbolo de resistência e representatividade do desejo homoafetivo feminino na música brasileira, unindo lirismo, coragem e crítica social.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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