
Tamandaré
Chico Buarque
A efemeridade dos heróis e valores em "Tamandaré"
Em "Tamandaré", Chico Buarque utiliza a figura de um "Zé qualquer" que encontra uma nota de um cruzeiro rasgada para refletir sobre a perda de valor dos símbolos nacionais. O personagem conversa com a imagem do Almirante Tamandaré estampada na cédula, destacando a ironia de um herói nacional ser reduzido a uma nota sem valor. O contexto histórico é fundamental: a moeda desvalorizada representa não só a crise econômica, mas também o esvaziamento dos antigos símbolos de glória. Chico, ao ser censurado, defendeu que o verdadeiro desrespeito era transformar Tamandaré em um objeto descartável, e não a crítica feita na canção.
A letra constrói um clima de decadência e melancolia, usando o mar como metáfora para a instabilidade: "A maré não tá boa / Vai virar a canoa / E este mar não dá pé, Tamandaré". O "Zé qualquer", sem dinheiro e sem perspectivas, se identifica com o almirante, ambos vítimas do tempo e da desvalorização. As perguntas sobre as "batalhas", "medalhas" e "nobreza" de Tamandaré reforçam a ideia de que o passado glorioso foi esquecido, restando apenas um "marquês de papel". O final da música, com versos como "Zé qualquer tá caducando / Desvalorizando / Como o tempo passa, passando / Virando fumaça, virando / Caindo em desgraça, caindo / Sumindo, saindo da praça", enfatiza o ciclo de esquecimento que atinge tanto pessoas comuns quanto figuras históricas. "Tamandaré" é, assim, uma crítica à efemeridade dos valores sociais e à transformação das glórias do passado em pó.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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