
Um Dia de Cão
Chico Buarque
Crítica à submissão e identidade em “Um Dia de Cão”
Em “Um Dia de Cão”, Chico Buarque utiliza a figura do cachorro para fazer uma crítica à submissão cultural e social, especialmente durante a ditadura militar brasileira. Apesar do tom leve e quase infantil, a música ironiza a obediência canina para simbolizar a postura subserviente diante de autoridades e da influência estrangeira, principalmente dos Estados Unidos. O trecho “sempre estou às ordens, sim, senhor” destaca essa disposição em obedecer sem questionar, enquanto o refrão com nomes como “Bobby, lulu, Snoopy, rocky, Rex, rintintin” reforça a adoção de referências externas, muitos deles ícones da cultura pop norte-americana, em detrimento da identidade nacional.
A letra mostra o cachorro “todo roto, todo esfarrapado”, mas ainda fiel e pronto para servir, ilustrando a alienação e a perda de autonomia. Expressões como “lealdade eterna-na”, “não fazer baderna-na” e “o rabo entre as pernas-nas” ironizam a disciplina imposta e a aceitação passiva de ordens. O verso “fidelidade à minha farda, sempre na guarda do seu portão” faz uma crítica direta à repressão militar e ao papel de vigilância. No final, a frase “sempre mordomo e cada vez mais cão” resume a mensagem central: quanto mais se aceita a condição de servo, mais se perde a própria identidade. Chico Buarque, assim, provoca uma reflexão sobre resistência, autonomia e a importância de preservar a cultura diante da dominação externa.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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