
Filho de Maria
Chitãozinho & Xororó
“Filho de Maria”: memória, poder e dívida social no Brasil
“Filho de Maria” narra menos um reencontro de pai e filho e mais um acerto de contas social. O rapaz enfrenta o “seu doutor” e expõe uma violência silenciosa. O “pão e um café” aparecem como pagamento por uma troca sexual, gesto que inaugura o abandono que atravessa toda a história.
Quem fala é o jovem que se apresenta ao médico e o obriga a “buscar seu interior” para lembrar a madrugada fria em que deu carona a uma moça “desvalida”, levou-a a um “hotel de quinta classe” e “cobrou um pouco caro”. A revelação vem em “Eu sou filho de Maria”. A paternidade é sugerida e, na sequência, recusada: “Não me chame de meu filho”. O narrador afirma ter sido criado por “o mundo, foi a rua”. O conflito nasce da desigualdade e do uso do poder do doutor sobre uma mulher vulnerável. O desfecho junta lembrança e perda: “por falta de um doutor / no meu parto ela morreu”. O verso acusa tanto a falta literal de assistência quanto a ausência moral do próprio médico.
Composta por Moacyr Franco e lançada por Chitãozinho & Xororó no álbum Fotografia (1985), a canção adota o tom social do sertanejo narrativo. O título “Filho de Maria” concentra o reconhecimento restrito à mãe e amplia a crítica: “Maria” soa como muitas mulheres pobres e anônimas. A interpretação contida da dupla reforça a melancolia e transforma um caso que parecia casual em retrato de um país onde carona vira cobrança, cuidado vira moeda e a falta de um doutor — no hospital e na vida — cobra seu preço.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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