
Avrai
Claudio Baglioni
Promessa de pai e futuro em “Avrai”, de Claudio Baglioni
“Avrai” parece um inventário de cenas, mas é um pacto urgente e terno que Claudio Baglioni escreveu em dois dias ao saudar o nascimento do filho, Giovanni. A repetição “Avrai, avrai, avrai” (você terá, você terá, você terá) afirma promessa e aceita limites e perdas, concentrados no refrão: “La stessa mia triste speranza/ sentirai di non avere amato mai abbastanza” (a mesma triste esperança que eu tenho/ você sentirá que nunca amou o bastante). É uma conversa de pai para filho que projeta o amanhã com carinho e franqueza: oferece descobertas e beleza — “sorrisi… come ad agosto grilli e stelle” (sorrisos... como em agosto grilos e estrelas), “pantaloni bianchi… che è già estate” (calças brancas... sinal de que já é verão), “giochi elettronici e sassi per la strada” (jogos eletrônicos e pedras pela rua) — sem esconder o que dói: “un giovane dolore” (uma dor jovem), “un amico che ti avrà deluso tradito ingannato” (um amigo que terá te desapontado, traído, enganado) e horas “vuote come uova di cioccolato” (vazias como ovos de chocolate).
Baglioni define a canção como promessa entre gerações: transmitir valores e memória — “storie fotografate dentro un album rilegato in pelle” (histórias fotografadas dentro de um álbum encadernado em couro) — e desejar um mundo mais brando, audível em “una radio per sentire che la guerra è finita” (um rádio para ouvir que a guerra terminou). Há também o sonho sem fronteiras: “un treno per l’America senza fermate” (um trem para a América sem paradas). Os temas são herança afetiva, esperança e crescimento, com melancolia mansa: espera — “un telefono vicino che vuol dire già aspettare” (um telefone por perto que já significa esperar) —, ritos de passagem — “la prima sigaretta… un po’ di tosse” (o primeiro cigarro... um pouco de tosse) — e assombro — “il buio all’alba che si fa d’argento alla finestra” (a escuridão ao amanhecer que fica prateada na janela). As imagens do cotidiano abrem sentidos: “cento ponti” (cem pontes), “schiuma di cavalloni pazzi” (espuma de ondas bravias), “viali di foglie in fiamme” (alamedas de folhas em chamas). Entre promessa e temor, há tempo para “andar lontano” (ir longe) e a constante sensação de amar pouco. O eco recente confirma a dimensão geracional: a recitação em Station 19 reativou a memória de infância — “ricordi… da scordare” (recordações... para esquecer) —, e o dueto com Laura Pausini, que a chama de “a canção mais bela escrita para um filho”, fixou seu lugar como declaração de amor duradoura.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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