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Cimento no Peito

Dado Ziul

Letra

    Quatro e trinta, chão frio no pé
    Corro no escuro, já sei qual é
    Silêncio corta, cidade me engole
    Quem não se vê, ninguém socorre

    Tênis rasgado, alma no ponto
    Olho na frente, não conto desconto
    Passo no tempo, corro com o vento
    Tijolo no peito, cimento no tento
    Na avenida, nóis é só fumaça
    Rosto apagado, vida que passa
    Peça encaixa, ninguém repara
    O mundo gira, nóis é engrenagem
    Trampo de um lado, sonho do outro
    Mão que constrói não ganha ouro
    Vida amarrada no nó da cidade
    Ergo o futuro sem identidade

    Na sombra do concreto, nóis corre demais
    Fazendo o que sustenta, mas nunca tem paz
    Escondido no brilho, nóis segue voraz
    Engrenagem do mundo, mas nunca é capaz

    Me passou, fone sem som
    Olho na janela, coração sem tom
    Minha pegada, poeira no chão
    Fusca rebaixado quase no vão
    Da banca do Guará, nóis pega o que dá
    Roupa no corpo, mas nada sobrar
    Olho no turno, café sem sabor
    Tudo que movo não traz o valor
    Cimento no peito, pulmão engasgado
    Grito calado, futuro apagado
    Minha rima corre onde nóis não tá
    Planta um futuro que nóis não verá

    Na sombra do concreto, nóis corre demais
    Fazendo o que sustenta, mas nunca tem paz
    Escondido no brilho, nóis segue voraz
    Engrenagem do mundo, mas nunca é capaz

    Se é no passo, poesia no trampo
    Carrego a cidade, mas quem é que espanto?
    Vejo o reflexo, ele some no pranto
    No espelho da vida, só nóis que é manto

    Fumaça no ar, luz de poste acesa
    Rostos que passam, tudo em defesa
    Documento atrasado, fé no volante
    Fusca no Guará, nóis segue adiante
    Curvas da cidade, sonhos na curva
    Cortam as linhas, mas nóis nunca surta
    Pivete no campo, sorriso no olho
    Quebrada resiste, nóis segue no jogo
    Se é pra cair, eu levanto primeiro
    Força de quem tá no mundo inteiro
    Mas no fim da jornada, quem vai lembrar?
    Das vigas que pus pra alguém se apoiar

    Na sombra do concreto, nóis corre demais
    Fazendo o que sustenta, mas nunca tem paz
    Escondido no brilho, nóis segue voraz
    Engrenagem do mundo, mas nunca é capaz

    Se eu parar, quem nota o impacto?
    Só mais um nome no som compacto
    Mas no asfalto que corta o chão
    Nóis é o peso que move o vão

    Se eu parar, quem nota o impacto?
    Só mais um nome no som compacto
    Mas no asfalto que corta o chão
    Nóis é o peso que move o vão

    Composição: Luiz Eduardo de Carvalho Costa. Essa informação está errada? Nos avise.

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