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Cinquenta Na Pista

Dado Ziul

Letra

    Ei, 50 conto, se liga na missão
    Vai rodar no mundão, movimentar o povão
    Mas será que no final, quem vai sair ganhando?
    Escuta essa história, tô te explicando

    Saiu do bolso de um trampo suado
    Foi direto pra padoca, pão quentinho no tablado
    Pegou o troco miúdo, já deixou no balcão
    Ajudou o padeiro a manter o pão na mão

    Depois, subiu no busão, passou na catraca
    Levou o cobrador a garantir sua janta básica
    Na esquina, virou pastel com caldo de cana
    Fortaleceu o ambulante, deixou a grana

    Cinquenta no mercado, virou arroz e feijão
    Pintou no boteco e virou cerveja com porção
    Tá na lojinha, virou meia pro pivete
    Rodou o bairro inteiro, no giro de um confete

    Cinquenta na pista, não para de girar
    Mantém a quebrada, faz o povo trabalhar
    Se fosse só no plástico, quem ia lucrar?
    É o banco, a máquina, sugando sem parar

    Agora pensa no mesmo, mas num cartão digital
    Cada vez que ele passa, o banco leva o tal
    Taxa daqui, tarifa de lá
    Um real pra cá, dois reais pra lá

    Do pastel da esquina, o dono nem viu
    Uma parte foi pro banco, sistema já engoliu
    No fim do mês, o padeiro tá no vermelho
    Enquanto o banco cresce, só engorda o cofre cheio

    E essa ideia da moeda digital
    Parece moderna, mas no fundo é letal
    Querem controlar até o troco do pão
    Transformar o nosso suor em números na mão

    Cinquenta na pista, não para de girar
    Mantém a quebrada, faz o povo trabalhar
    Se fosse só no plástico, quem ia lucrar?
    É o banco, a máquina, sugando sem parar

    Nota amassada, suada, com cheiro de povo
    Resiste na quebrada, mantém o mundo novo
    No banco ou na fintech, só querem consumir
    Mas no bolso do humilde, tem história pra seguir

    Um mês rodando, cinquenta ainda valendo
    Fortaleceu a favela, manteve o povo vivendo
    Mas na era digital, o dinheiro é ilusão
    O que é nosso, na verdade, vai pra mão do patrão

    E assim vão querendo acabar com o papel
    Dizendo que é moderno, vendendo um céu
    Mas na real, é controle, é manipulação
    Cinquenta reais vira dívida, e nós na servidão

    Cinquenta na pista, não para de girar
    Mantém a quebrada, faz o povo trabalhar
    Se fosse só no plástico, quem ia lucrar?
    É o banco, a máquina, sugando sem parar

    Então respeita a nota, que ela é resistência
    Girando na quebrada, mantendo a coerência
    Cinquenta na pista, é luta, é conexão
    Dinheiro na mão do povo, não na transação

    Então respeita a nota, que ela é resistência
    Girando na quebrada, mantendo a coerência
    Cinquenta na pista, é luta, é conexão
    Dinheiro na mão do povo, não na transação

    Composição: Luiz Eduardo de Carvalho Costa. Essa informação está errada? Nos avise.

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