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Lógica Submersa

Dado Ziul

Letra

    Fui jogado no mundo com uma bússola quebrada
    Entre linhas tortas, a verdade é forjada
    Eles ensinam o certo, apagam o instinto
    Me moldaram pra ser mais um número indistinto

    A lógica é fria, sem cor, sem alma
    Um padrão calculado que devora a calma
    Me disseram: Seja bom, seja útil, seja alguém
    Mas nunca me perguntaram o que eu queria também

    A infância é um sonho, mas logo desvanece
    No espelho da vida, a pureza esmorece
    Me deram títulos, rótulos, mil etiquetas
    Mas esqueceram de perguntar minhas metas

    Me ensinaram a andar em linhas retas
    Pisando nos sonhos, deixando as metas quietas
    Questionar é perigoso, disseram com temor
    A mente que voa é vista com rancor

    O que é certo? O que é real?
    O que vale a pena nesse jogo moral?
    Se a resposta for lógica, eu quero o caos
    Rasgo os padrões e escrevo meus ideais

    Nessa selva de concreto, sou peça ou jogador?
    Uma mente que grita ou só mais um espectador?
    Enquanto busco sentido nessa engrenagem
    Eu corro contra o tempo, recriando a viagem

    Me jogaram num ciclo, rotina apressada
    Relógios gritam horas, mas a vida é calada
    O que é a liberdade se só resta o espaço
    Entre as grades do tempo, um silêncio escasso?

    Na escola diziam: Aqui é o caminho
    Mas o que eu vi foram mentes sem destino
    Regras e normas, vozes ecoando
    Mas quem define o que estamos buscando?

    Me tornaram funcional, mas esqueceram o sentir
    Uma máquina de carne, incapaz de se ferir
    Entre a lógica e o caos, escolho a faísca
    Pois a verdade real nunca é tão explícita

    Sou mais que respostas, sou dúvidas cruas
    Um grito solitário nas noites mais nuas
    Se o sistema é perfeito, por que somos vazios?
    Se a lógica é o mapa, por que os caminhos são frios?

    Cada rótulo imposto é um pedaço arrancado
    De um todo que um dia foi livre e iluminado
    O que resta no fim? Um nome num papel?
    Ou um eco perdido em um mundo cruel?

    Busco nas sombras o que a luz não revela
    As perguntas guardadas, a resposta mais bela
    Se a lógica é divina, então sou profano
    Navegando sozinho, sem seguir o plano

    Não quero ser peça nem rei nesse tabuleiro
    Se viver é pensar, eu destruo o roteiro
    Enquanto a lógica dita, minha alma se lança
    Pois a essência da vida é a eterna mudança

    E se a razão me cerca, eu escolho o abismo
    Um salto sem cordas pra escapar do cinismo
    Sou o som que ecoa na ausência do ar
    A faísca que insiste em nunca apagar

    Composição: Luiz Eduardo de Carvalho Costa. Essa informação está errada? Nos avise.

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