Classe Invisível

Dancob Studio

A senhora que limpa o chão do escritório
Chega antes do Sol, e sai no fim do horário
O entregador na chuva, no semáforo fechado
Traz o sustento quente, mas volta pra casa encharcado

São os rostos que você não vê no seu salão
São as mãos que costuram, sem ganhar atenção
É a base que sustenta o seu conforto e lazer
Mas que vive no limite, sem direito de viver

Classe invisível, gente real
Não é favor, é essencial
Não é esmola, é reparação
Por cada suor que ergueu essa nação

A cozinheira que alimenta a escola
Com um salário que mal compra a sacola
O pedreiro que constrói palácios com o corpo gasto
E vive num barraco que o governo declara espaço

São vozes caladas na estatística oficial
São sonhos cortados no ponto final
É quem não falta, mesmo sem ser lembrado
É quem vive apagado, mas move o estado

Classe invisível, povo essencial
Não é vergonha, é moral
O país que esquece quem o ergue
É um império em ruínas que abate quem o serve

Tem riqueza demais nas mãos de um punhado
E talento perdido onde falta cuidado
Não é preguiça, é o corte seletivo
Que puxa a escada ao chegar no altivo

Classe invisível, eu te vejo, sim
Cada rosto, cada fim
Enquanto houver quem lute, haverá estrada
E um dia essa classe vai ser celebrada


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