Balanço do Mar

Danilo Pinheiro

Pés na areia, deixo o mar me tocar
Na varanda de madeira eu paro pra respirar
Minha prancha ainda guarda a última queda
Me lembrando que a vida ensina na beira
O som das ondas chama sem dizer meu nome
E o fim da tarde colore o horizonte
Na cadeira de balanço eu deixo o tempo passar
E a maresia invade tudo, me ensina a acalmar
E eu me deixo ir
Sem saber onde vai dar

No balanço do mar eu vou
Sem medo, sem direção
Entre o vento e o Sol
Eu escuto meu coração
Se a vida é ir e voltar
Eu aprendi a fluir
No vai e vem das ondas
Eu aprendi a existir

Durmo com a brisa dançando no rosto
Acordo com o Sol me chamando de novo
Pego minha prancha e sigo pro mar
Porque é nas ondas que eu sei me encontrar
O mar se levanta, eu mergulho sem pressa
E lá no fundo algo me atravessa
Uma sereia de olhar profundo
Toca meu rosto e silencia o mundo
E eu volto à superfície
Com um som dentro de mim

No balanço do mar eu vou
Sem medo, sem direção
Entre o vento e o Sol
Eu escuto meu coração
Se a vida é ir e voltar
Eu aprendi a fluir
No vai e vem das ondas
Eu aprendi a existir

E no som do meu violão
Eu me perco na imensidão
Dreads soltos ao vento
Levando embora o pensamento

Deitado ao lado da prancha
Minha companheira fiel
O mar canta baixinho
E me conecta ao céu
No balanço das ondas eu vou
E já não preciso de mais
Porque no ritmo do mar
Eu encontrei minha paz


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